Archive for October, 2008

O mestre e seus princípios

Posted on the October 8th, 2008 under Dicas para aprender japonês by Mairo

Um bom professor não é aquele que simplesmente ensina algo, que simplesmente transmite determinado conhecimento e pronto. Se fosse assim qualquer um virava professor. Na realidade, muita gente ainda tem essa concepção, e daí você, pobre professor, tem que escutar piadas do tipo “ok, mas além de dar aula você trabalha de que?”. E de quem é a culpa? Dos próprios professoras! Dos professores que dão suas aulinha, mandam os aluninhos fazerem o exerciciozinho, a provinha e pronto, dáo a nota. Como se os launos fossem todos fossem uns robôs que tem serem alimentados com informações dos mais diversos tipos…

O verdadeiro professor não é um mero transmissor de conhecimentos. O bom professor é um mestre. Isso mesmo: um MESTRE. É o cara que sabe mais, que viveu mais. E sabe como se formam bons mestres? Com bons mestres! É por isso que ninguém aprende a ser bom professor com aula de didática e psicologia, pois normalmente os professores de didática e psicologia não tem didática nem psicologia nenhuma! Acredite, sou filho de um psicólogo casado com uma educadora, e tudo que falta na minha casa é psicologia e didática. Vivendo e aprendendo, não é mesmo?

Assim, é convivendo, estudando com bons professores, com bons mestres, que você de fato vai aprender a ser um bom professor, um bom mestre.

São muitas as qualidades necessárias para formar um bom mestre, mas com certeza a maior e mais importante de todas elas é que este conheça os princípios fundamentais do que estuda/ensina. Não é questão somente de dominar o assunto que se ensina, mas sim de entender, compreender o que é e como funciona esse assunto. Na área de línguas estrangeiras o grande problema é que nossos cursinhos de línguas, nossas metodologias intersociocomunicativas e nossos professores intelectualóides criaram uma concepção que associa língua com sala de aula, o que não é verdade! Eu tenho uma ótima professora de inglês, que só não será uma das melhores professoras de inglês que jamais conhecerei pelo fato de fazer tudo voltado somente para a sala de aula. É um pensamento simples,  que infelizmente esta impregnado na cabeça dos nossos professores de línguas, que em inglês funciona da seguinte maneira:

Language Learning > Classroom

Em japonês seria:

言語学習 > 教室

Isso é errado! Língua não tem quase nada a ver com sala de aula, talvez não tenha absolutamente nada a ver! Quando você nasce, mandam-te para uma sala de aula onde você aprender a falar? Óbvio que não! A língua nasce no convívio, no escutar e repetir, com seus pais, sua família, seus amigos, etc. Por que quando vamos para outro país aprendemos muito mais saindo com os amigos do que na sala de aula? Por que estudantes mais experientes preferem aprender por conta própria do que pagar por aulas? Por que você aprende muito mais depois do cursinho, quando começa a ler, escutar, falar e escrever em contextos naturais, e não porque tem que fazer o dever de casa ou mesmo falar com os colegas dentro da sala de aula? É só pensar um pouco, ter a mínima noção, e você vai ver que língua e sala de aula não tem nada a ver.

Ok, não vim aqui para escrever um tratado contras as salas de aula. Vim aqui sim para explicar que esse é um dos princípios básicos do aprendizado de idiomas. Que a língua é algo que vai muito além de uma sala de aula. Você não precisa deletar a sala de aula, precisa sim usar a sala de aula de modo a mostrar isso para os alunos, como um lugar em que, mais do que ensinar a língua, ensina-se o que é, como funciona uma língua e o que ela pode te trazer de bom. É o lugar para estimular, o lugar para fazer a motivação dos alunos vir à tona!

Eu ainda estou procurando isso, tanto em minhas aulas em sala de aula, quanto em minhas aulas particulares. Não é algo fácil, ainda mais quando todos os professores seguem métodos tradicionais, focados mais da sala de aula em si do que na língua. Mas os resultados estão vindo. Na semana passada eu fechei o terceiro bimestre com meus alunos do estágio. Estou dando aulas para alunos do primeiro ano do Ensino Médio. Eu pedi então que eles escrevessem uma redação dizendo “o que eu aprendi no terceiro bimestre“, englobando não somente o conteúdo, mas tudo, tudo o que eles aprenderam comigo. Alguns alunos escreveram coisas muito interessantes, que eu deixo aqui no post, como uma amostra do que eu procuro numa aula de línguas (lembrando que estou ensinando inglês para eles).

“Eu aprendi no terceiro bimestre a estudar Inglês, a ler o Inglês de outra forma, pegar a prova de Inglês depois de feita e estudar por ela… Foi muito bom ter aula com outra pessoa, na real foi ótimo”.

“O modo como ele explica as frases é muito mais fácil de entender, porque ele ‘brinca’ com as palavras… Gostei muito de suas aulas, porque se o aluno não entende ele repete até a pessoa entender”.

“O professor Mairo, de maneira didática e com aulas práticas me mostrou um lado do inglês que eu não conhecia… Espero que no próximo bimestre seja assim, com aulas comuns em sala de aula, aulas práticas e até extraclasse, para que assim possamos chegar em casa, para nossa mãe, e dizer: passei”.

“Enfim, acabei gostando muito das aulas, elas me ajudaram pra caramba, o professor ajudou bastante gente com seu jeito de ensino super diferente… Sei que mais pra frente tudo isso vai me ajudar em algo, em muitas coisas, talvez em trabalhos, me ajudar realmente como pessoa. Foi muito bom e eu te agradeço muito por isso”.

E para finalizar, não podem faltar as pérolas…

“Ai prof, eu não gosto de ficar escrevendo, é muito chato e muito demorado. Eu gosto da coisa rápida, coisa que dá resultado rápido, é que nem um menino quando fala demais, estraga, enrola muito”.

“Aprendi que colar é mais fácil do que pensam…”

Espero que tenham gostado, até a próxima!

 

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Três diferentes abordagens para o aprendizado de idiomas

Posted on the October 6th, 2008 under Dicas para aprender japonês by Mairo

Steve Kaufmann, num recente podcast, falou sobre três diferentes abordagens para o aprendizado de idiomas, sendo uma delas muito boa e as outras duas não tão eficientes. Você pode escutar o podcast aqui, mas como muita gente não entende Inglês [visto que nosso negócio aqui é o Japonês], eu resolvi refazer uma síntese do assunto neste post.

Das abordagens “não tão produtivas”, a primeira seria a que Steve chama  mínimalista: aquela pessoa que fala “Cara! Não é muito legal saber falar ‘onde é o banheiro’ ou ‘eu entendo mandarim’ em 28 línguas diferentes?!?” Do outro lado temos a abordagem perfeccionista: a pessoa frustrada pelo fato de não conseguir dizer tudo o que ela quer na língua que estuda. O bom aprendiz de línguas é justamente aquele que se encontra entre essas duas abordagem, que não é nem minimalista nem perfeccionista.

Lembrando que aqui sempre tomamos aprender línguas como algo sério, ou ao menos como um hobby sério. Assim, é completamente inútil aprender a falar 10 frases em um certo idioma. Mesmo que você viaje para a Russia e aprenda a perguntar as horas em Russo para um estranho na rua, você não vai ter a mínimo senso do que esta falando, assim como não vai entender nada do que o cara responder. Por outro lado, é preciso entender que, por mais fluente que você seja, sempre, sempre haverá dúvidas no aprendizado de idiomas, pois nem em nossa língua nativa sabemos tudo, todos os verbos, substantivos, frases, etc. Não há um fim, pois o aprendizado de idiomas é algo que vai continuar até o fim de sua vida. Assim, relaxe e aproveite!

Steve diz que aprender a língua é como cuidar do seu jardim. Não importa se o seu jardim é ou não é maior ou mais bonito que o do vizinho, o que importa é estar sempre cuidando do jardim e gostando, aproveitando isso. Você não vai plantar duas ou três flores e ir embora (minimalista), assim como não vai ficar sempre comparando o seu jardim com o do vizinho e reclamando (perfeccionista).

O conselho que fica é: não se contente com apenas algumas frases “úteis”, assim como entenda que a perfeição é inimiga dos seus estudos. Leia e escute muito. Fale e escreva, mas não tenha medo de errar, pois mais importante do que acertar ou errar é estar em contato com o idioma, estar cultivando seu jardim, pois com tempo ele vai ficar completamente florido.

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