Archive for January, 2009

Abordagem revolucionária para aprender japonês (e outras línguas…)

Thursday, January 29th, 2009

revolutionary-article-on-language-learningAbordagem revolucionária no aprendizado de idiomas [Japonês no nosso caso :)]

Publicado dia 27 de Janeiro de 2009 em Victoria News, traduzido por este que vos fala!

O ensino de idiomas pode ser revolucionado segundo uma pesquisa do PhD da Victoria University Paul Sulzberger. Doc. Sulzberger descobriu que a melhor maneira de aprender uma língua é através da frequente exposição aos padrões de sons do idioma, mesmo que você não entenda nada do que isso significa. “Pode parecer loucura, mas simplesmente escutar a língua, mesmo que você não entenda, é muito importante. Muitos professores de idiomas podem não aceitar isso” diz Sulzberger.

“Nossa habilidade de ler novas palavras está diretamente relacionada com o quão frequentemente escutamos as combinações de sons que formam as palavras. Se você quer aprender Espanhol, escutar uma rádio em Espanhol na internet vai aumentar dramaticamente sua habilidade de entender o idioma e aprender novas palavras”

A pesquisa do Doc. Sulzberger desafia a atual teoria do aprendizado de idiomas. Sua hipótese principal é que simplesmente escutando um novo idioma criamos estruturas no cérebro requeridas para aprender novas palavras. “O tecido neural requerido para aprender e entender uma nova língua vai se desenvolver automaticamente a partir da simples exposição ao idioma – do mesmo modo como os bebês aprendem sua língua nativa” diz Dr. Sulzberger.

Ele começou a pesquisa após anos ensinando Russo para estudantes da Nova Zelândia e observando como os estudantes desistiam das aulas. “Eu sempre estive consciente das grandes dificuldades que os estudantes tem ao estudarem outra língua, principalmente no início. Muitos desistem pois pensam que não estão progredindo.” Doc. Sulzberger diz que estava interessado em saber o que faz o aprendizado de novas palavras tão difícil em uma língua estrangeira, enquanto estamos constantemente aprendendo novas palavras em nossa língua nativa. Ele achou a resposta no modo em que o cérebro desenvolve as estruturas neurais ao escutar novas combinações de sons.

“Quanto tentamos aprender palavras em língua estrangeira, damos de cara com sons para os quais não temos nenhuma representação neural. Um estudante tentando aprender uma língua estrangeira pode ter algumas poucas estruturas pré-existentes para se apoiar na hora de aprender novas palavras”. Doc. Sulzberger procurou por maneiras que as pessoas podem desenvolver essas estruturas para facilitar o processo de aprendizado. Sua descoberta foi simples: extensiva exposição ao idioma, algo fácil devido à globalização e às novas tecnologias. “É mais fácil aprender idiomas nos dias de hoje, pois estes são muito acessíveis. Você pode ir para casa e assistir o noticiário em Francês na internet”

Ele diz que pessoas tentando aprender uma língua estrangeira no seu país tem uma desvantagem se comparadas com aquelas que viajam para outro país e imergem-se nos sons e na cultura do idioma. Por essa mesma razão, ele diz, temos de repensar a maneira como línguas são ensinadas. “Professores devem assumir a importância de extensiva exposição auditiva na língua. Uma hora por dia estudando textos em Francês numa sala de aula não é suficiente, mas um hora extra escutando Francês no seu iPod pode fazer uma enorme diferença” diz Sulzberger.

Língua é uma habilidade, não é como aprender um fato. Se você quer ser um levantador de pesos, tens de desenvolver os músculos. Não há como aprender a levantar pesos lendo um livro. Para aprender um idioma você tem que cultivar o tecido cerebral apropriado, o que é feito por muita escuta. Música e filmes são ótimos!

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Mairo Vergara

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Como criar um hábito em 21 dias

Wednesday, January 28th, 2009

criar-habitoUm dos grandes segredos do sucesso, seja no trabalho ou nos estudos, é a regularidade. Regularidade de estudar todos dias, de correr todas as manhãs, de trabalhar todos os dias, etc. Manter essa regularidade não é nada fácil, pois tendemos a preferir intensidade (“Vou fazer isso tudo de uma vez e me livrar logo desse trabalho, estudo, etc!”). Como então manter a regularidade? O segredo da regularidade é fazer desta não algo que você “tem de fazer” mas sim algo que você simplesmente “faz” naturalmente. Isso é um hábito.

Um pequena busca no dicionário e temos…

há.bi.to
[do latim habitu]
Inclinação por alguma ação, ou disposição de agir constantemente de certo modo, adquirida pela freqüente repetição de um ato

Um hábito é algo que faz regularmente, sem pensar, e que é adquirido via repetição. Pense nos fumantes (talvez o melhor exemplo de hábito). Nenhum fumante pensa “tenho de fumar um cigarro” (no sentido de obrigação). O fumante simplesmente fuma e pronto. Fumar o maldito cigarro (me perdoem os fumantes, mas de fato o cigarro é maldito, vocês mesmos sabem) não é uma obrigação, não é algo que o fumante tem que fazer. Nenhum fumante precisa de lembretes do tipo “fume um cigarro por dia”, pois fumar já é parte deles, já é um hábito. E não adianta me falar que a culpa é da nicotina, pois ninguém fica viciado por fumar um carteira de cigarro. Todo o fumante que conheci começou a fumar por sei lá que motivo e fumou, fumou e fumou até ficar viciado. O que você precisa fazer aqui é seguir o exemplo dos nossos fumantes e fumar Japonês até que a nicotina nipônica faça efeito.

Criar o hábito é um dos fatores que te levará ao sucesso, seja no trabalho, seja nos estudos. Enquanto você continuar tendo que se lembrar que tem de estudar Japonês, que tem de trabalhar ou  que tem que correr de manhã, essas coisas ainda vão demandar esforço e te desanimar cedo ou tarde. No entanto, no momento em que elas se tornarem hábitos, quando você estudar ou trabalhar naturalmente, sem pensar “tenho que fazer isso”, do mesmo modo que o fumante não pensa para fumar o cigarro, todo esforço e desanimo vão embora. A questão agora é como criar estes hábitos?

Manter um hábito é fácil, criar um exige dedicação. Demoramos 21 dias para criar um hábito. Algumas pessoas dizem que o ideal são trinta dias, porém minha experiência pessoal diz que 21 dias é suficiente. 21 dias de dedicação e esforço é que você precisa para criar um novo hábito. Durante esses 21 dias você terá que lembrar diariamente que “tem que fazer X durante Y minutos, horas, etc”. E quando você estiver cansado, desanimado, frustado, terá de fazer do mesmo modo. Conforme os dias vão passando, cada vez mais isso vai deixar de ser uma obrigação e se tornar um hábito. Após os 21 dias você já vai estar fazendo isso sem pensar, pois criou o hábito.

Como eu e você somos pessoas sistemáticas (só pessoas sistemáticas param para ler um texto sobre como criar hábitos num blog sobre língua japonesa), vamos fazer um pequeno guia…

Criando um hábito em 21 dias!

1. Defina o que você quer fazer: estudar uma hora de Japonês todo o dia, treinar Kendo três vezes por semana, praticar digitação meia hora por dia, escrever todos os dias no seu blog, correr 2km todos os dias, etc. Seja lá o que for, defina o que você deseja tornar um hábito na sua vida.

2. Faça uma promessa para você mesmo: que você vai fazer isso durante 21 dias não importa o que aconteça!

3. Arrume um modo, algo que possa te manter informado do hábito. Programe seu celular para te avisar, use o site 43things, fale para sua mãe te lembrar, etc. O importante é que, caso você não lembre, alguém te lembre (se puder, te obrigue).

3. Não desanime! Lembre-se que os primeiros  21 dias são difíceis, mas depois você vai colher os frutos! Não pense no antes nem no depois. Nem mesmo pense, faça!

4. Use um calendário! Ou algo em que você possa marcar seu progresso e deixe-o em alguma lugar bem visível (cole no teto, em cima da sua cama!). Você precisa ver seu sucesso, isso vai te estimular.

5. Se possível, arrume alguém que tenha o mesmo objetivo que você! Você vai ver que fazendo isso junto com alguém é bem mais fácil, pois um “puxa” o outro.

6. Não importa o que acontecer, siga em frente! Lembre do Obama: “Yes, we can!” (Sim, nós podemos. No seu caso “Sim, eu posso!”).

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SRS – Como lembrar de tudo que você estuda!

Tuesday, January 27th, 2009

anki-srsImagine poder lembrar de tudo que você estuda? Imagine poder decorar todas as leis de seu livro de direito, todas as fórmulas químicas do cursinho e, no caso de  nós estudantes de Japonês, todos os ideogramas, seus significados e leituras. O que muita gente não sabe é que existe uma forma de fazer isso que não exige horas e horas e esforço e sofrimento em cima dos livros. Essa forma chama-se Spaced Repetition (repetição espaçada).

Nós temos dois tipos de memórias: a de curto e a de longo prazo. Na memória de curto prazo estão as coisas passageiras, que logo esqueceremos. Na memória de longo prazo estão coisas permanentes, que não esqueceremos dentro de um bom tempo (ou para sempre). A nossa memória de curto prazo é uma muita fraquinha, muito mesmo. Se eu te ensinar que KIATSUKEI é barômetro em Japonês, muito provavelmente você vai esquecer disso daqui um ou dois dias. Já a memória de longo prazo é muito forte. Eu lembro do telefone da minha vó até hoje (eu costumava passar os fim de semenas na casa dela), mesmo fazendo mais de dez anos que eu não disco esse número! Spaced Repetition é uma forma de estudar em que passamos as informações em nossa cabeça da memória de curto prazo para nossa memória de longo prazo. Para fazer isso, revisamos as informações regularmente, sempre um pouco antes de esquecer as mesmas. Por exemplo: hoje eu te ensinei que KIATSUKEI em Japonês significa barômetro.  Você lembrará disso por uma dia. Amanhã, eu te pergunto “como se fala barômetro em Japonês?” e você faz um esforço e diz “KIATSUKEI”. Esse esforço que você fez, forçou um pouco a passagem dessa informação do curto para o longo prazo. Agora, provavelmente você vai lembrar disso durante uma semana. No final da semana, quando você está quase esquecendo que KIATSUKEI significa barômetro, eu te pergunto novamente “então, ainda lembra como falar barômetro em Japonês?”, você pensa, concentra-se e responde: KIATSUKEI. Agora você está começando a memorizar essa informação. Daqui a um mês eu posso te perguntar novamente, e caso você lembre eu pergunto daqui a três meses. Para o caso de você não lembrar, voltamos atrás e diminuímos os intervalos. Com o tempo e as repetições espaçadas, a informação vai deixando a memória de curto prazo e passando para a memória de longo prazo. Essa técnica é extremamente poderosa, pois exige pouco esforço, apenas regularidade. O problema é que fazer isso manualmente é muito complicado. É agora que os computadores entram em ação!

SRS (Space Repatition System) são programas de computador que permitem que você crie flashcards (cartões pergunta-resposta) e teste seus conhecimentos nestes seguindo a lógica das repetições espaçadas. Funciona da seguinte maneira: você cria cartões resposta do tipo…

P- Como falar gato em Japonês?
R- Gato em japonês é Neko.

…e o programa, ao longo dos dias, vai te testando nesses cards. Seu trabalho é criar os cards e revisá-los todos os dias, sempre lembrando que quem define o que você vai revisar é o programa, não você. Os resultados do bom uso de um SRS são incríveis: o que você colocar lá, você vai lembrar, ponto.

Porque então não existem milhares de pessoas que lembram de tudo, sabem todas as leis dos livros de direito, todas as fórmulas químicas e todos os ideogramas japoneses? A resposta é simples: o uso de um SRS requer regularidade e dedicação. Por menor que seja o esforço, tendemos a preferir estudos mais intensos do que regulares. Revisar um SRS todos os dias durante meses ou anos não é tarefa fácil. Não basta decidir que você vai revisar todos os dias, é preciso criar o hábito de revisar todos os dias. Criar um hábito necessita um tempo de adaptação, normalmente umas três semanas de esforço, lembrando todo dia que “tenho que fazer X”. O bom é que uma vez que você cria o hábito, você simplesmente “faz” o que tem de fazer ao invés de fazer porque “tem que fazer”.

Qual SRS devo usar?

Existem vários SRSs por aí, mas o melhor de todos é o ANKI. Ele é free (grátis), é bonito e tem muitas opções. Acesse o site do Anki para baixar o programa e confira este ótimo guia de como usar o programa.

Abraços a todos!
Mairo Vergara

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Citações sobre aprendizado de idiomas

Friday, January 23rd, 2009

quotesStu Jay, um dos meus  poliglotas favoritos, disse “Quando eu pego uma língua pra valer, eu como, bebo, durmo e respiro a língua”. Já faz algum tempo que eu venho juntando citações a respeito do aprendizado de línguas, agora chegou a hora de compartilhá-las com vocês leitores. Espero que gostem e aprendam ainda mais sobre o aprendizado de línguas.

“A aquisição de uma língua não depende do uso extensivo de regras gramaticais e exercícios.” Stephen Krashen

Quando tratamos de uma língua, você não precisa necessariamente ficar “bom”; nela, você tem que simplesmente ficar “acostumado”. A língua tem que se tornar um hábito, um reflexo para você. Deixe-a entrar nos músculos de suas mãos, rosto e boca. E isso não requer que você pense muito, pois tudo que você tem de fazer é expor você mesmo. Exponha você mesmo  à “radiação linguística”, não somente até você adquirir uma doença radioativa temporária, mas sim até desenvolver um “câncer” radioativo-linguístico chamado fluência. Katz

“Aquisição requer interação compreensível na língua estudada- comunicação natural – nas quais os falantes não se preocupam com a forma de suas frases, mas sim com as mensagens que tentam comunicar e entender.” Stephen Krashen

Meu dicionário se tornou uma extensão da minha pele, assim como meu fones de ouvido são das minhas orelhas. Katz

“Os melhores métodos são os que providenciam “input compreensível” em situações de baixa tensão, contendo mensagens que os estudantes realmente querem ouvir. Esses métodos não forçam a produção da segunda língua em estágios iniciais, e sim deixam os estudantes falarem quanto estes estão “prontos”, reconhecendo que os resultados vêm quando é providenciado suficiente input compreensível, e não através de produção forçada e correção.” Stephen Krashen

“No mundo real, conversação com falantes nativos que tem vontade de ajudar o estudante a falar e ser entendido é de grande valor.” Stephen Krashen

Meu objetivo com este blog é, além de influenciar algumas pessoas com meu entusiasmo para com idiomas, dar uma olhada por trás das cortinas da língua, comunicação, aprendizado, história e política, para ver o que de fato se passa nos bastidores quando falamos – e ainda mais importante, quando não falamos nada! Stu Jay Raj

Meu avô costumava me dizer “Quando você esta aprendendo uma língua, você tem que tentar ao máximo evitar que falantes nativos desta língua te elogiem. Se eles estão te elogiando sobre o quão bem você fala a língua deles, significa que você ainda não chegou lá”. Stu Jay Raj

Eu estou interessado no que pode possibilitar que muitas pessoas aprendam idiomas, não em linguístas pedantes. Steve Kaufmann

Se disciplina é o necessário para tornar sonhos realidade, e também é lembrar o que você quer, então basicamente o que você tem de fazer para ir daqui até lá é lembrar o que você quer. Não lembrar onde você está [isso só vai te deixar triste], não lembrar onde você não está [o que também te deixará triste], mas sim lembrar o que você quer. Katz

Parabéns, você terminou a lição. Você está no caminho para se tornar um lenda da digitação! Meu programa de digitação (OK, não é diretamente relacionado com idiomas, mas mesmo assim é muito legal)

Quer ficar bom em ler e escrever uma língua? Então leia mais. Muito mais. Muito.  Katz

Abraços,
Mairo Vergara

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Aprenda a escrever melhor em Japonês no Lang-8

Thursday, January 22nd, 2009

lang-8Aprender a escrever bem é uma tarefa complicada mesmo em nosso idioma nativo, quem dirá então em línguas estrangeiras. Caso você ainda esteja iniciando os estudos do idioma Japonês, não há tanta necessidade de preocupar-se com a escrita, porém, para estudantes mais avançados, escrever é uma ótima maneira de aprimorar seus conhecimentos na língua. No caso do Japonês, escrever regularmente não somente aumenta seu vocabulário e melhora o domínio das estruturas gramaticais, como também é uma ótima forma de aumentar o domínio do kanji (os temidos ideogramas). Embora a primeira imagem que venha na cabeça de qualquer estudante de Japonês ao falarmos sobre leitura e escrita seja uma parede enorme com infinitos ideogramas com infinitos traços de infinitas leituras, escrever em Japonês não difere muito de escrever em qualquer outro idioma. Tudo se resume a dois pontos chaves: leitura e prática.

Lendo melhor para escrever melhor!

Se você tem pretensões de escrever bem em seja lá qual língua que for, é bom começar a ler, e ler bem. Ler bem significa ler textos de qualidade, bem escritos, com bom vocabulário e estilo. Significa também ler bastante. Não espere escrever bem lendo umas poucas páginas por semana. Você precisa ler centenas de páginas por semana, precisa devorar textos, revistas, blogs e livros. Livros voltados para falantes nativos são com certeza sua melhor opção. Além de não serem abobados como livros voltados para não nativos (todo material voltado para falantes não nativos é completamente abobado e vai resultar em você escrevendo textos abobados), livros são longos(isso é bom!) e trazem, fora os milhões de ideogramas e vocábulos, o estilo característico do autor, o que vai influenciar em muito na sua escrita.

Praticando no Lang-8 (ou qualquer outro lugar…)

Ler vai ser sua base, o 基本 da escrita. Quando mais e mais regularmente você ler, melhor. Agora é na prática da escrita que virão os resultados de toda essa leitura. Praticar escrita consiste simplesmente em escrever, escrever e escrever. Você pode manter um diário, pode escrever um blog, pode fazer redações, etc. Tudo é válido desde que você esteja produzindo textos. É bom também usar um dicionário para procurar palavras desconhecidas e diferentes modos de expressar uma mesma idéia. Porém, tome cuidado para não ficar muito preso ao dicionário, o que pode deixar o texto muito artificial. Para polir sua prática, correções são necessárias. No entanto essas correções devem ser feitas por uma falante nativo! (iniciantes podem ter seus textos corrigidos por não nativos fluentes no idioma, embora eu não creia que iniciantes deveriam gastar tempo praticando escrita…). Você pode ter um amigo ou professor(a) para corrigir seus textos, ou então usar outras opções como o Lang-8. Lang-8 é talvez o melhor site para praticar escrita em língua estrangeira. Como ele funciona? Bom, basicamente você escreve um texto, em qualquer língua, e este mesmo pode ser lido e corrigido por outros membros do site  falantes nativos da língua em que você escreveu o texto. Do mesmo modo, você, falante nativo de Português, pode corrigir textos escritos por falantes não nativos de Português. Existem outras opções como Grupos e lista de amigos, mas a principal e mais útil função do site é a troca de correções. E tudo isso é totalmente gratuito! Quer coisa melhor?!?

Dicas para usar o Lang-8

Algumas vezes vai acontecer de várias pessoas lerem seus textos e ninguém corrigir nada. Isso pode acontecer devido a dois fatores: a) você escreve muito bem; b) ninguém ficou afim de corrigir seu texto. Como eu creio que a maioria de nós se enquadra na segunda opção, eu trago aqui algumas dicas para que isso não aconteça…

1. Tenha muitos amigos. Sempre que alguém corrigir seus textos ou mesmo deixar comentários, responda aos mesmos e adicione as pessoas na sua lista de amigos. Quanto mais amigos você tiver, mais chances de seu texto ser corrigido.

2. Corrija textos de pessoas que falam a língua que você estuda e estudam a língua que você fala (no nosso caso, japoneses que estudam Português). Faça amizade com essas pessoas. Se você corrigir os textos delas, elas provavelmente vão corrigir os seus.

3. Escreva textos interessantes! Ninguém quer ler “como foram minhas férias” ou “a minha família”. Escreva para adultos inteligentes, não para crianças burras.

4. Caso seu texto não for corrijido de jeito nenhum, apague o mesmo e crie um novo igualzinho (copie o texto). Fiz isso uma vez e funcionou perfeitamente, hehe.

Espero que tenham gostado do post,
Abraços.
Mairo Vergara

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A importância da leitura em Japonês

Monday, January 12th, 2009

leitura-japonesLer é sem dúvida nenhuma umas das mais importantes atividades tanto no aprendizado de nossa língua nativa quanto de línguas estrangeiras. Recentemente, numa discussão do grupo Nihongo-Br (o qual você é muito bem vindo a participar!) o Luiz Passari escreveu um post muito interessante:

Ler e entender sempre será mais fácil, e sempre seremos melhores nisso, em qualquer idioma, inclusive na língua-mãe. Eu sou um dos que passaram a acreditar que não é necessário gastar energias treinando falar ou escrever textos, e sim que essas habilidades vem automaticamente graças ao convívio com o idioma. É só olhar aqueles textos que estudantes de japonês de cursinhos comuns tentam escrever, é aquele japonês mais artificial do mundo, que mesmo que gramaticalmente não esteja errado, um japonês nativo nunca escreveria/falaria aquilo. Isso acontece por um simples motivo: Tentar forçar o output (falar e escrever – minha nota), formar as frases se baseando nas regras gramaticais com palavras que você nunca viu ou ouviu, ao invés de sair naturalmente baseado em experiências passadas. Pode ver que mesmo em português, a pessoa que fala e escreve bem é aquela que tem hábito de leitura, ninguém fez um curso especial para escrever bem, apenas tem um hábito de ler muito e com isso desenvolve automaticamente e naturalmente uma boa habilidade com a escrita.

Como o Luiz disse e eu confirmo, ler (e também escutar) nos leva a escrever e falar muito bem. Por exemplo, eu sempre tive problemas com a língua portuguesa, principalmente problemas de ortografia, e nunca escrevi bem. Quando estava então no primeiro ano da faculdade, comecei a ler muita literatura, principalmente Dostoievsky. Foi assim que em questão de menos de um ano de leitura eu passei de alguém que passou no vestibular com um 3 (de 10) na redação para um dos melhores alunos do curso de letras no quesito escrever bem. Mais interessante, quando viajei para o Japão em 2006 e nos dois anos seguintes, onde foquei minhas energias no estudo do Japonês e agora do Inglês, minha escrita em português simplesmente decaiu, pelo fato de eu ter parado de ler em português (embora eu leia diariamente, leio tudo em Inglês). Por mais estranho que pareça, no momento eu me sinto mais confortável para escrever em Inglês do que em Português. Mesmo sem tanto conhecimento e domínio da língua inglesa quanto da portuguesa, o fato de estar constantemente lendo e escutando Inglês faz com a língua flua mais facilmente para mim. O mesmo serve para Japonês. Quando estava no Japão eu costumava dizer para meu amigo dos USA: “Hoje não vou falar Inglês, cansa muito. Japonês é mais rápido e simples, não cansa, vou falar Japonês”. Na realidade Japonês não cansa mais do que Inglês, mas sim o fato de eu estar imerso na cultura e na língua fez com que eu produzisse o idioma mais naturalmente, de modo mais leve e rápido. Lembro de discutir uma vez com meu amigo e uma menina das Filipinas, e, quando fiquei P da vida, parei de falar Inglês e larguei tudo em Japonês. Meu amigo coitado não entendeu quase nada… Tudo isso quer dizer que o seu output é conseqüência direta do seu input. Se você lê e escuta muito em Japonês, conseqüentemente vai falar e escrever bem em Japonês. Se lê pouco e escuta pouco, não espere sair falando e escrevendo Japonês por aí.

Porém, quando tratamos de leitura em Japonês, surge uma inevitável questão:  “Como eu leio aquele monte de ideogramas!”. A resposta é simples: “Lendo!”. De fato não há segredos, você precisa simplesmente ler, ler e ler. Existem vários métodos para estudar ou familiarizar-se com o Kanji. Simplesmente escolha o que você prefere e siga em frente, No entanto, mais do que praticar o método, você precisa ler, e ler muito, para fixar os ideogramas na sua cabeça. Lembre-se que os ideogramas são finitos (embora pareçam infinitos) e uma hora, se você continuar lendo, eles vão magicamente acabar, você sempre vai dar de cara com um ideograma que “já viu em algum lugar”, e conforme ler e estudar, cada vez menos terá dúvidas quando as leituras e significados.

Citanto outro post do Luiz Passari (meu novo herói!):

Eu já gosto de estudar kanji sempre dentro de um contexto, nunca funcionou para mim ficar repetindo a mesma letra várias vezes em um papel, funcionava a curto prazo, mas depois de uns 3 dias sem escrevê-lo, já era. Apesar dos japoneses fazerem isso na escola, penso que não é por isso que aprendem. Aprendem porque vêem kanji ao redor todos os dias, lêem tudo em kanji. O que tenho feito é tentar simular esse ambiente ao máximo, tento ler muito todos os dias, umas 150 páginas de manga, livros literários e revisar o deck de sentenças religiosamente todos os dias (estou com aproximadamente 2000 sentenças). Uma coisa que reparei é que estudando por palavras e frases, uma hora os kanjis acabam (obviamente) e tudo o que aparecer na sua frente está escrito com ideogramas que você já viu alguma vez na vida (mesmo que ainda não o conheça em detalhes), quando isso acontece é que você começa a memorizar de verdade. Quanto a escrevê-los, simplesmente abandonei isso por hora. Percebi que quando fazia o RTK os kanjis que eu já havia visto em algum contexto eu dava conta de lembrar facilmente, mesmo para escrever. Já os que ainda não conhecia, mesmo pensando em seus componentes e fazendo historinhas, era um pouco mais difícil. Além disso, naquela parte do Nouryoku Shiken em que aparece a palavra em hiragana e você precisa escolher o kanji correto, mesmo tendo ideogramas super-parecidos lá, de tanto vê-los em palavras diferentes eu passei a conseguir reconhecer o certo apenas ‘sentindo’ que as outras combinações não são familiares (mesmo que eu não consiga escrevê-lo de cabeça).

Por isso que, como meu foco atual é o JLPT 1 (que não exige escrita) e meus planos de estudar no Japão (onde teria que ser capaz de escrever a mão) são só para daqui 2 anos ou mais, estou me concentrando apenas em ser capaz de ler e compreender o maior número de palavras possível e, conseqüentemente, seus respectivos ideogramas. Percebi que conhecendo o kanji sendo usado em seus contextos mais comuns, aprender a escrevê-lo depois é uma mão-na-roda.

Bom, essa é minha opinião

Espero que tenham gostado do post,

Abraços,

Mairo Vergara

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Como Aprender Japonês em 90 dias

Friday, January 9th, 2009

japanese-girlVocê já ouviu falar da regra dos 90 dias? Basicamente, a regra das 90 dias significa: qualquer coisa que você faz agora vai afetar sua vida (trazer resultados) dentro de 90 dias. Uma bom modo de ilustrar isso é pensando “o que eu estava fazendo a 90 dias atrás”. Se seu objetivo é aprender ou melhorar o seu Japonês, antes de se auto-criticar, pense no que você estava fazendo 90 dias atrás. Você estava estudando Japonês? Estudou todos os dias até hoje? Provavelmente não. É muito simples nos definirmos como “ruins” em algo, mas ao mesmo tempo é muito simples notar o porquê dessa ruindade. Veja o que você esteve fazendo, o quanto se dedicou, e garanto que entenderás facilmente o porque de você não estar no nível que deseja. Ontem ao voltar do meu treino de Kendo, em meio a minha frustração “não-treino-desde-pequeno-treino-a-6-anos-e-sou-um-lixo”, parei e pensei “mas o que eu estava fazendo a 6 meses atrás?”, e vi que eu estava fazendo tudo menos treinar Kendo regularmente. Voltamos àquela velha história sobre regularidade. A chave do sucesso, muito mais do que intensidade, é regularidade. A regra dos 90 dias diz respeito e regularidade num espaço de tempo nem curto nem longo. 90 dias é tempo suficiente para qualquer um ficar muito bom em qualquer coisa, desde que haja regularidade. Regularidade traduz-se aqui em prática diária, no mínimo uma hora por dia. Se você praticar Kendo uma hora por dia, todos os dias, em 90 dias vai estar voando pra cima de seus adversários. Se treinar digitação (meu novo hobby!), estarás mandando um zilhão de palavras por minuto enquanto conversa com sua namorada no telefone. E, do mesmo modo, se você estudar Japonês um hora por dia, começando hoje, daqui a 90 dias vai estar entendendo, falando, lendo e escrevendo muito melhor. De fato, ficar bom em algo é mais simples do que parece. Comece hoje, trabalhe todo o dia (sem se matar, uma hora por dia já está mais do que bom) e continue nesse ritmo durante 90 dias, que eu te garanto resultados incríveis.

Por que então poucas pessoas conseguem aprender Japonês, ficam boas no Kendo e digitam na velocidade da luz? Por uma simples razão: regularidade é, incrivelmente, mais difícil do que intensidade. É fácil sentar e estudar 4 horas de Japonês, mas é complicado estudar estas mesmas 4 horas em seções de 15 minutos por dia ao longo de 16 dias. Embora o tempo de estudos seja o mesmo, um modo leva um dia, o outro 16 dias! É preciso disposição e disciplina para manter um estudo regular. Evite o “Vamos sair hoje fulano, você estuda todos os dias, um dia não vai fazer diferença”, pois um dia faz sim diferença. Em casos extremos, não deixa que a sua folga de um dia desanime você. Meu professor de Kendo costuma dizer que cada dia que faltamos aumenta a nossa “vontade de faltar”. Se você faltar um dia, vai querer faltar dois, se faltar dois vai querer faltar 3, e assim por diante. Quanto mais você falta, mais difícil de de voltar a treinar. Quando mais você não estuda Japonês, mais difícil e estudar.

Mas enfim, sem mais enrolação sobre regularidade e 90 dias, vamos tratar de assuntos mais práticos. O que exatamente podemos fazer em 90 dias? Aqui vão algumas sugestões:

  • Escutar 90 horas de japonês: todo mundo sabe que sou um fã de “escuta”. Em 90 dias você pode escutar 90 horas de Japonês, uma hora por dia. Parece pouco, mas essa regularidade pode fazer sua compreensão oral explodir, passando do basicão para o intermediário/avançado. Assegure que você escute materiais entendíveis, não muito acima do seu nível.
  • Estudar um livro/método de línguas inteiro: pegue um livro ou método de estudos para Japonês e faça um plano de terminá-lo dentro dos 90 dias. Ou mesmo determine que durante os 90 dias você vai estudar com esse método todos os dias e chegar o mais longe possível. Enquanto o pessoal na escola vai estar na lição 12, você provavelmente estará lá na frente na 40, 50…
  • Escrever um texto em Japonês todos os dias durante 90 dias: para os mais avançados, que tal fazer um diário, escrevendo todos os dias um pequeno texto em Japonês? Se você tiver alguém para corrigir seu texto, melhor ainda, provavelmente você vai aprender muito depois de escrever 90 redações.
  • Estudar Kanji! 90 dias é um tempo consideravelmente bom para baixar a cabeça e estudar os complicados ideogramas. Procure um bom método e foque no kanji durante 90 dias, os resultados com certeza virão.

Enfim, essas são apenas algumas sugestões. A idéa é se manter firme e saber que nada é impossível, exige apenas regularidade e vontade.

Abraços,

Mairo

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