Archive for May, 2009

Aprenda Japonês com um Dicionário Japonês-Japonês!

Posted on the May 19th, 2009 under Dicas para aprender japonês by Mairo

Dicionário Japonês
Dicionários são necessário para aqueles aprendendo japonês ou qualquer outro idioma. Isso você sabe (embora eu já tenha conheça pessoas que aprenderam sem usar dicionários… mas isso é outra história). A questão é a diferença entre dicionários bilíngues e monolíngues. Que é isso? Dicionários bilíngues são aqueles normalmente usados por estudantes de línguas estrangeiras, trazendo duas línguas, por exemplo, Inglês-Português, Português-Inglês, Japonês-Português, Português-Japonês, etc. Monolíngues são os dicionários com somente uma língua, exemplo, Português-Português, Inglês-Inglês, etc. Em japonês são os 英和&和英辞典 (eiwa & waei jiten, bilíngues) e os 国語辞典 (kokugo jiten, monolíngues). Todo estudante sério de uma segunda língua deve ir o mais rápido possível para o dicionário monolíngue.
A ideia é ficar o mais longe possível da sua língua nativa. Obviamente, no início, isso não é possível, mas, como já disse, o ideal é abandonar o dicionário bilíngue o mais cedo possível e migrar para o monolíngue. Passei a usar um monolíngue pouco tempo atrás (pouco mesmo, menos de um mês) e já posso sentir como a qualidade do processo supera a quantidade do mesmo, feito com um dicionário bilíngue. Usando dicionários bilíngues a velocidade e praticidade são maiores, e você aparentemente aprende bem mais. Isso fica claro quando você usa um monolíngue. Monolíngues são mais lentos, difíceis, complicados, etc. Por exemplo, ao procurar a definição de uma palavra, esta vai conter várias palavras que você não sabe, te obrigando a procurar a definição da definição da definição da definição… Por mais lento e complicado que pareça, em termos de qualidade, é muito melhor que os dicionários bilíngues. Aqui entram alguns fatores lógicos. Primeiro, a língua é algo finito e de certo modo cíclico. Definições levam a definições, que levam a outras definições, que levam a outras e outras, e que voltam àquela mesma definição inicial. Muitas vezes é só achar um único ponto em meio a várias definições para desencadear seu entendimento. Segundo, o dicionário é metalinguístico, ou seja, a língua falando da língua. Você tem uma coisa que se auto-explica! Se você não consegue entender, então tem de trabalhar em cima disso. (If you can’t understand it, it means you need to work on it. Katsumoto, AJATT). Por fim, o uso dos monolíngues fará com que você leia na língua estrangeira e somente nela, sem auxílio de qualquer outra língua. Com o tempo, sua velocidade de leitura e seu feeling para a língua vai aumentar em muito. Eu posso sentir isso em menos de um mês de uso, quem dirá em meses ou anos!

Antes de terminar esse post, vale lembrar que algumas vezes ainda é possível usar um dicionário bilíngue, mas isso somente como último recurso, quando você não entende de modo algum as definições das definições das definições.

Particularmente, estudando no computador, em costumo usar três dicionários ao mesmo tempo, todos monolíngues, assim é difícil não achar uma definição que eu não entenda, mesmo que às vezes a busca seja um pouco demorada. Só ainda não achei um monolíngue com bons exemplos. Todos costumam trazer exemplos, mas talvez por serem dedicados a falantes nativos de japonês, muitas vezes, os exemplos são mais difíceis que as próprias definições. Dicionários bilíngues tem exemplos mais simples, visto que são voltados para falantes não nativos.

Como Aprender Japonês? Mudando de atitude!

Posted on the May 17th, 2009 under Dicas para aprender japonês by Mairo

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Post antigo, para relembrar! Abraços!

Como Aprender Japonês? Mudando de atitude! Em menos de um mês já posso sentir os resultados de uma aparentemente simples mudança de atitude em relação a meus estudos de língua japonesa.
Veja bem, por volta de um mês atrás eu estava com a mesma idéia que viveu em minha cabeça ao longo dos meus três anos de estudos do idioma: que japonês é super difícil, que é impossível aprender a ler todos os ideogramas, escrever então nem se fala. Estas idéias devem por certo circular na cabeça de muitos estudantes de língua japonesa, assim como circularam na minha durante meus estudos aqui no Brasil e praticamente se confirmaram após um ano de estudos no Japão, no qual não pude chegar no nível de fluência que esperava chegar…
A questão aqui é, como disse, mudança de atitude. Foi somente seis meses depois de retornar do Japão que vi como minha visão e minha atitude perante o idioma estavam errados. Algumas leituras, durante as benditas férias (e depois quando eu digo que a faculdade atrasa minha vida, acham que é besteira…) me fizeram ver como o que realmente faz diferença, em se tratando do aprendizado de línguas, é a sua atitude para com a mesma.
Vejamos o Inglês, por exemplo. Eu nunca tive problemas com Inglês, ou melhor, eu tive, mas nunca tratei isso como problema. Eu costumava jogar videogame achando que sabia Inglês, lembro de ficar pensando o que era “I can…”, lembro de jogar “Adams Family” em Francês, eu e meu irmão, anotando todas as falas e levando para minha avó, que sabia um pouco do Idioma e podia assim nos ajudar a “ir pra frente” no jogo (até hoje não acabei…). Isso porque meu Inglês era tão ruim que não dava realmente para pensar em ir pra frente com o jogo em Inglês. Lembro também de jogar “Final Fantasy 7” sabendo quase nada de Inglês e mesmo assim gostar da história. Também lembro de terminar “Metal Gear Solid” sem memory card, jogando sem parar o dia inteiro, eu e um amigo, que sabia um pouco de Inglês, eu jogava e ele explicava os diálogos… e por aí vai. Videogame realmente foi uma grande contribuição na minha formação linguística! E eu fui jogando, lendo, entendendo o que podia, o necessário, mas nunca me preocupando com a língua em si. Ah, claro, muitas músicas em inglês, outra grande influência. Briguei com meu primo, que se intitula o Deus supremo do Inglês, que Spice Girls eram “Garotas do Espaço”… vejam como eu era horrível em inglês! Foi um episódio interessante…
Mas essa atitude de usar a língua, quase que fingir entender a língua, foi fazendo com que a língua quase que por osmose crescesse dentro de mim. Bastou eu entrar na faculdade e começar a ter aulas de Inglês com professores que não falavam Português para eu ver que meus anos de videogame e Oasis (a banda) valeram alguma coisa. E bastou ir para o Japão e conhecer alguns americanos que moravam por lá para meu Inglês decolar para um nível mais do que satisfatório para alguém que nunca fez cursinho, nunca estudou Inglês, nunca fez a tarefa de Inglês da faculdade, etc…
Essa atitude deve servir de exemplo para qualquer outro idioma, incluindo o japonês. Não digo que se deva largar tudo e ir jogar videogame e escutar j-pop até aprender japonês. NÃO. Inglês está na minha vida desde meus 13-14 anos, e hoje tenho quase 24… O que eu quero dizer é aplicar a mesma atitude num estudo consciente da língua japonesa. No último mês, após as inúmeras leituras sobre o assunto, tratei de fazer algumas mudanças no modo como estudo, e todas essas mudanças articuladas formam uma grande mudança de atitude.

Primeiro, passei a escutar somente músicas em Japonês, não pensando em entender as letras, mas pensando que j-pop é muito legal (eu gosto, não sei você…) e que as músicas em Japonês me lembram do tempo que estive no Japão.
Comecei a estudar o livro “Remembering The Kanji”, de J. W. Heisig. Veja bem, voltando ao início do kanji, desde o “ichi ni san”, fazendo, em média, um capítulo por dia, sem muita pressa, mas com planejamento. Passei a usar um SRS, colocando sentenças das provas de proficiência em língua japonesa, com foco primeiro no kanji, para depois focar na gramática. Isso corresponde também a uma mudança de atitude em relação a prova. Desta vez quem está com medo não sou eu, mas sim a prova, pois se vou passar ou não, isso não sei, mas que vou estudar todos os dias, até o dia da prova, isso eu vou, nem que seja um único kanji por dia, o importante é não perder a regularidade. Estou usando um dicionário monolíngue, o que no início foi bem difícil, mas já estou acostumando. Às vezes, não consigo de modo algum achar uma definição que eu entenda e acabo, assim, usando o dicionário bilíngue. No entanto, espero que futuramente isso não seja mais necessário. Atualmente, costumo usar três dicionários eletrônicos ao mesmo tempo: um portátil, que comprei no Japão, e dois onlines, o que me abre muitas possibilidades.

Também comecei a “japonezar” minha vida. Musicas em Japonês, podcasts japoneses, livros em Japonês na bolsa do casaco, programas em Japonês no computador, e quando leio algo em outras línguas, isso normalmente diz respeito a língua japonesa ou a línguas em geral. Pode parecer besteira ou loucura, porém hoje, antes de dormi, peguei um livro para crianças do ensino fundamental japonês e li um pouco. No Japão, eu dei uma olhada no livro, mas obviamente não li, ou não segui em frente, achando como sempre que nem mesmo livros de crianças da terceira série podem ser lidos por meros gaijins (não-japonses)… Foi então que vi que as mudanças, principalmente o uso do dicionário monolíngue, estão fazendo diferença. Enquanto escutava a música calminha da Ayaka Hirahara, eu lia a introdução do livro. A velocidade que eu lia não era normal, o modo como eu entendia, entendendo o que entendia e pulando o que não entendia, entendo as coisas pelo contexto, olhando o assunto e não na língua, etc., não era normal, e os kanjis que eu não sabia como ler, mas sabia o significado, devido ao Remembering the Kanji, também não eram algo normal. Pela primeira vez na vida eu estava sentando, escutando música e lendo algo em Japonês porque estava achando aquilo interessante, e não porque queria aprender a língua!

A meu ver, isso é a mudança de atitude. É claro que não é igual para todos, assim como não foi igual no caso do meu Inglês e do meu Japonês. Porém, para aqueles que querem achar uma saída, aqueles que, como eu, tentam aprender a língua do sol nascente (ou qualquer outra língua que seja), fica meu conselho de ver a língua como algo divertido e legal, que está ao seu lado e não contra você. Você estuda Norueguês? Pois compre um disco daquela banda de rock norueguesa, compre uma bandeira da Noruega, escreva frases em Norueguês nas paredes do seu quarto, instale uma versão do Windows em norueguês, aprenda cozinha norueguesa, etc… Viva a língua! Estuda japonês? Idem.

Abraços a todos,

Mairo Vergara

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