Clínica do Kanji #4 – “Como eu leio isso? Deixe-me contar as maneiras…”

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Clínica do Kanji #4, The Japan Times, 15 deJunho de 2001
“Como eu leio isso? Deixe-me contar as maneiras…”

Comparado com a aprendizado da leitura dos 1,945  ideogramas de usa geral do japonês, Aprender a escrever os ideogramas de cabeça é moleza. Veja o caso de 生 (“vida”), um ideograma muito popular com número especialmente alto de diferentes pronúncias. Peça para uma amigo japonês dar um exemplo de palavra para cada leitura de 生: sei, shou, nama, ki, umu, ikiru, hayasu, ou e naru. (e.g.: 生徒 seito “estudante”, 生ビールnama-biiru “draft beer”).

Se você não o fez, pode provalvelmente aprender a escrever 生 de cabeça em alguns minutos. No entanto, você ainda vai descobrir leituras diferentes para este ideograma nos próximos 10 ou 20 anos!

Da onde saiu esse sistema de leituras que nos dá tanta dor de cabeça? Pelo que se sabe, os japoneses já falavam japonês muito antes de emprestar o sistema de escrita chinês. Porque as duas línguas eram completamente diferentes, somente os ideogramas por si mesmo não combinavam muito bem com o japonês, porém com a adição dos kanas [hiragana e katakana]foi possível criar o sistema de escrita japonês.

Para demonstrar o porquê de haver variadas leituras para cada ideograma, vamos dar uma olhada no kanji 東 (“leste”) e 都/京 (ambos significando “capital”, para cidade). Antes de sua relação com o kanji, os japoneses já tinham duas palavras para os significados de “leste” and “capital” (higashi e miyako, respectivamente). Muitos palavras antigas, “pre-kanji”, foram associadas com ideogramas de mesmo significado; estas pronpuncias são chamadas “leitura kun”. Alguns ideogramas não tem um “leitura kun”, mas a maioria deles tem uma ou duas.

Além dessas “leituras kun” foram adicionadas leituras que são uma imitação japonesa das leituras em chinês, chamadas “leitura on”. Para ter uma idéa de como os japoneses já alteravam as palavras estrangeiras para sua própria língua desde os séculos passados, basta dar uma olhada na moderna terebi (“televisão”) e makudonarudo (“McDonald”).

O kanji entrou no Japão por várias regiões de diferentes dialetos do chinês, durante períodos históricos diferentes, aumentando ainda mais o confusão de leituras existentes. As  “leituras chinesas” são geralmente incompreensíveis para os Chineses. Um kanji normal tem de uma a três leituras on.

Leituras on são mais frequentes em compostos do que leituras kun, mas há exceções. Por exemplo, 東(“leste”) e 京 (“capital”), quando juntos formam a palavra 東京, que é pronunciada “Toukyou” (Tóquio). No campo das artes marciais, 剣道 “kendo” e 柔道 “judo” também usam leituras on, enquanto  空手 “karate,” junção de 空 (“vazio”) E 手 (“mão”) usa leituras kun. A grande maioria dos nomes de pessoas e lugares em japonês, como 鈴木 Suzuki e 横浜 Yokohama, usam leituras kun.

Alguns compostos podem também ter uma mistura das duas leituras, por exemplo, 毎朝 (maiasa, “toda manhã”). O “mai” é uma leitura chinesa, já o “asa” é japonês.

Para complicar ainda mais, existem as palavras com “leituras especiais”. Consistem em dois caracteres juntos com base somente no significado, sem relação com a pronúncia. Um exemplo é 大人 (“adulto”): junção de 大(dai, “grande”) e 人(jin, “pessoa”), que é não pronunciado “daijin”, como seria esperado, mas sim otona.

Finalmente, temos os kanjis usados meramente pela sua pronúncia, sem relação alguma com seu significado. 寿司 sushi, sem dúvida nenhuma a palavra japonesa mais conhecida no mundo, é um exemplo de “ateji”: 寿司 é um junção de duas leituras on, em que os caracteres signifcam “longevidade” e “oficiar,” os quais não nos trazem a idéia de “peixe cru com arroz”

Ateji são às vezes usados para substituir palavras em katakana, emprestadas de outros idiomas. Um exemplo é 倶楽部 (kurabu, “clube”), que você pode ver em muitos clubes noturnos. Os ideogramas significam: junta, prazer e departamento.

Sem dúvida, a parte mais complicada no aprendizado dos ideogramas são as leituras. Na próxima coluna, vamos ver como usar a “análise de componentes” como ajuda para adivinhar as leituras.

Enquanto isso, ao ivés de “Tokyo,” tente falar “Higashi-Miyako” numa conversa. (e.g.: “Eu estava pensando em ir para Higahi-Miyako!”) Você certamente vai se divertir um pouco e pode até entrar numa boa conversa sobre aprendizado dos ideogramas.

Traduzido por Mairo C. Vergara
Artigo original em inglês em http://www.kanjiclinic.com/kc4final.htm

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3 Responses to Clínica do Kanji #4 – “Como eu leio isso? Deixe-me contar as maneiras…”

  1. Tim Ramsey says:

    I recently came accross your blog and have been reading along. I thought I would leave my first comment. I dont know what to say except that I have enjoyed reading. Nice blog.

    Tim Ramsey

  2. Tatau says:

    Mairo,

    excelente artigo. Esse assunto é muito interessante.

    Eu também tenho uns exemplos dessa leitura maluca lá no meu blog:

    “Em cima” + “Mão” = “Hábil”. A palavra poderia ser “uete”, mas é “jouzu”. “Em baixo” + “Mão” = “Inábil”. Poderia ser “shitate”, mas é “heta”. Louco, não?

    Copiei daqui: http://aprendajapones.blogspot.com/2007/09/em-cima-em-baixo-e-mo-em-japons.html

    Abraços,

    Tatau

  3. Dogman says:

    eh normal aparecer quadrados com letras e numeros no lugar dos ideogramas…

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