Começar pelo Kanji vale a pena?

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Um dos leitores do Como Aprender Japonês me fez a seguinte pergunta: “Kanji, é necessário já estar habituado com o Kanji antes de começar a se aprofundar nas frases e textos?” Eu comecei então a pensar sobre o assunto e resolvi (como sempre) em fazer um post sobre!

Até hoje o ensino de língua japonês seguiu (e ainda segue) uma metodologia que funciona da seguinte maneira:

Romaji > Hiragana/Katakana > Kanji

Sendo que o uso ou não do romaji varia de método para método. A idéia é que começando com hiragana/katakana o estudante pode aprender mais facilmente e aos poucos ir aprendendo os ideogramas. Porém esse método não vem demonstrando grandes resultados visto que a grande maioria dos estudantes de japonês acaba desistindo dos estudos logo que deixam o japonês básico e partem para a parte mais intermediária/avançada, na qual terão que aprender os ideogramas. Hiragana e katakana parecem difíceis no início, mas podem ser dominados rapidamente e logo o estudante pensa que japonês é fácil. Porém assim que o kanji entra em jogo as coisas começam a complicar. No início, digamos até uns 300-400 ideogramas, não é tão complicado, mas depois disso todos eles começam a parecer os mesmo, você “aprende um e esquece dois”, o número de leituras de cada ideograma aumenta, ideogramas antigos aparecem novamente com leituras diferentes, etc. A grande maioria dos estudantes nesse ponto desiste ou simplesmente fica estagnado sem melhorar o japonês.

A minha solução para isso é darmos um enfoque maior nos ideogramas dividindo os estudos de japonês e de kanji em duas coisas a parte. Uma coisa é japonês, o idioma, outra coisa é o Kanji, os ideogramas chineses que são usados na escrita japonesa! “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”! A estratégia aqui é a mesmo usada por James Heisig em seu livro Remembering the Kanji: “Divide and conquer” [Dividir para conquistar]. Dê uma lida no post “Estude Kanji para complementar seus estudos de japonês“, ele mostra como a divisão japonês/kanji pode ser vantajosa nos seus estudos. Tendo a coisa bem dividida, podemos tomar duas estratégias:

1. Estudar japonês e kanji ao mesmo tempo,
2. Estudar primeiro o kanji, depois o japonês!

Vejamos como cada uma funciona na prática:

Estudando Japonês e Kanji ao mesmo tempo

Se você pretende estudar japonês e kanji ao mesmo tempo, prepare-se para ter trabalho! Comece separando seus horários! Se você estuda dois dias por semana, de agora diante um dia vai ser para japonês e outro para kanji. Se estuda todos os dias, separe um dia kanji, um dia japonês, um dia kanji, um dia japonês… ou então divida por tempo, cada dia 30 minutos de japonês e 30 minutos de kanji! Você tem que garantir que um estudo acompanhe o outro. Novamente recomendo ler “Estude Kanji para complementar seus estudos de japonês“! Se seu kanji estiver fraco seu japonês vai estar fraco, e vice-versa. A grande vantagem desse método é que ele é bem variado, quando você cansar do kanji vai para o japonês, quando cansar do japonês vai para o Kanji. A desvantagem obviamente é que o trabalho vai ser maior. Veja meu exemplo, todo dia eu tenho qeu revisar minhas sentenças no Anki assim como meus Kanjis no Reviewing The Kanji, e se deixar um dia sequer sem revisar eu já tenho mais de 200 revisões somando os dois sistemas! Aconselho este método para quem tem mais tempo livre ou mesmo deposição, pois é fácil jogar tudo para o alto no meio de tanto estudo.

Estudando primeiro o Kanji, para depois o Japonês

Esse método é inovador e revolucionário no ensino de língua japonesa. A idéia é bem simples: começamos estudando somente Kanji, aprendendo os significados e a escrita. Você nem mesmo precisa aprender a leitura dos ideogramas. O método mais conhecido é com certeza o Remembering the Kanji, o qual estou traduzindo aos poucos aqui no blog. Seguindo essa filosofia você primeiro se familiariza com os ideogramas: Você não vai aprender japonês, mas vai saber que 木 significa árvore e que 水 significa água, e assim por diante. Isso vai trazer resultados muito bons quando você for estudar japonês, pois você não vai dar de cara com “um monte de riscos de nexo nenhum”! Aqueles riscos são os ideogramas que você estudou e que agora estão sendo usados numa língua, no caso a japonês! O tempo que você pode gastar estudando somente os ideogramas varia. Pode ser desde um ou dois meses até um ano. Eu recomendaria uns 6 meses, e não mais que um ano. Eu creio que a vantagem de passar 6 meses estudando somente os ideogramas para depois estudar o japonês é enorme, porém se o tempo de estudos de ideogramas passar de um ano, creio que já começa a tornar-se uma desvantagem. Se você tem disposição, tire seis meses e estude somente ideogramas! Ponha uma objetivo na cabeça, por exemplo “terminar o remembering the kanji” ou “aprender todos os 1006 ideogramas básicos”. Fazendo isso você cria uma base muito forte para seus estudos, o que vai te diferenciar de estudantes que não fazem isso.

Conluindo

As duas abordagens são válidas, assim não há como saber qual delas é melhor, qual traz melhores ou mais rápidos resultados. Lembre-se que o resultado é mais fruto do seu esforço do que do método que você usa. Uma pessoa esforçada vai ter bons resultados independente do método usado! Porém um bom método combinado com esforço pode ser ainda mais poderoso! Acima de tudo refletir sobre seus estudos e o que funciona melhor para você é essencial. Nunca pense que você “não tem jeito”, “não tem o dom”, etc. Isso é tudo conversa fiada, se algo está errado, o problema está ou no método, ou na falta de dedicação, mas nunca em você mesmo, numa suposta “falta de capacidade”. Todos nós somos capazes, se eu aprendi você também pode aprender! É isso aí, bons estudos para você!

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2 Responses to Começar pelo Kanji vale a pena?

  1. Yuina/Bruna says:

    2o. comentário…
    eu, lendo um livro “cinderela Chinesa” vi um caso um pouco semelhante ao 2o. método de ensino..
    a história não vem ao caso, mas tem um cara que é francês, mas trabalha na China como tradutor de documentos para o francês, antes da primeira guerra mundial. O livro é uma autobibliografia, então, acreditei que o personagem não seria inventado, afinal, ele não tem pé nem cabeça na história… ai fui pesquisar isso. Como é possivel uma coisa dessas? ai descobri que o Chinês.. que deu origem aos kanjis no japão… é uma lingua estremamente iconográfica – é essa mesma a palavra?- logo, não precisa se saber o som dela, mas ela por si só tem um significado. logo é possivel compreender o que está escrito sem se falar nada de tal idioma, o mesmo ocorre com o egipcio… o.O´´ então puiz como meta, um dia aprender a ler e escrever o Chines.. não a falar, pq acho que não quero falar chinês.. então. esse método de aprendizage não é tão novo não.. mas menos usual…

  2. Davi says:

    Onde posso achar os 1006 kanji basicos?

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