O mestre e seus princípios

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Um bom professor não é aquele que simplesmente ensina algo, que simplesmente transmite determinado conhecimento e pronto. Se fosse assim qualquer um virava professor. Na realidade, muita gente ainda tem essa concepção, e daí você, pobre professor, tem que escutar piadas do tipo “ok, mas além de dar aula você trabalha de que?”. E de quem é a culpa? Dos próprios professoras! Dos professores que dão suas aulinha, mandam os aluninhos fazerem o exerciciozinho, a provinha e pronto, dáo a nota. Como se os launos fossem todos fossem uns robôs que tem serem alimentados com informações dos mais diversos tipos…

O verdadeiro professor não é um mero transmissor de conhecimentos. O bom professor é um mestre. Isso mesmo: um MESTRE. É o cara que sabe mais, que viveu mais. E sabe como se formam bons mestres? Com bons mestres! É por isso que ninguém aprende a ser bom professor com aula de didática e psicologia, pois normalmente os professores de didática e psicologia não tem didática nem psicologia nenhuma! Acredite, sou filho de um psicólogo casado com uma educadora, e tudo que falta na minha casa é psicologia e didática. Vivendo e aprendendo, não é mesmo?

Assim, é convivendo, estudando com bons professores, com bons mestres, que você de fato vai aprender a ser um bom professor, um bom mestre.

São muitas as qualidades necessárias para formar um bom mestre, mas com certeza a maior e mais importante de todas elas é que este conheça os princípios fundamentais do que estuda/ensina. Não é questão somente de dominar o assunto que se ensina, mas sim de entender, compreender o que é e como funciona esse assunto. Na área de línguas estrangeiras o grande problema é que nossos cursinhos de línguas, nossas metodologias intersociocomunicativas e nossos professores intelectualóides criaram uma concepção que associa língua com sala de aula, o que não é verdade! Eu tenho uma ótima professora de inglês, que só não será uma das melhores professoras de inglês que jamais conhecerei pelo fato de fazer tudo voltado somente para a sala de aula. É um pensamento simples,  que infelizmente esta impregnado na cabeça dos nossos professores de línguas, que em inglês funciona da seguinte maneira:

Language Learning > Classroom

Em japonês seria:

言語学習 > 教室

Isso é errado! Língua não tem quase nada a ver com sala de aula, talvez não tenha absolutamente nada a ver! Quando você nasce, mandam-te para uma sala de aula onde você aprender a falar? Óbvio que não! A língua nasce no convívio, no escutar e repetir, com seus pais, sua família, seus amigos, etc. Por que quando vamos para outro país aprendemos muito mais saindo com os amigos do que na sala de aula? Por que estudantes mais experientes preferem aprender por conta própria do que pagar por aulas? Por que você aprende muito mais depois do cursinho, quando começa a ler, escutar, falar e escrever em contextos naturais, e não porque tem que fazer o dever de casa ou mesmo falar com os colegas dentro da sala de aula? É só pensar um pouco, ter a mínima noção, e você vai ver que língua e sala de aula não tem nada a ver.

Ok, não vim aqui para escrever um tratado contras as salas de aula. Vim aqui sim para explicar que esse é um dos princípios básicos do aprendizado de idiomas. Que a língua é algo que vai muito além de uma sala de aula. Você não precisa deletar a sala de aula, precisa sim usar a sala de aula de modo a mostrar isso para os alunos, como um lugar em que, mais do que ensinar a língua, ensina-se o que é, como funciona uma língua e o que ela pode te trazer de bom. É o lugar para estimular, o lugar para fazer a motivação dos alunos vir à tona!

Eu ainda estou procurando isso, tanto em minhas aulas em sala de aula, quanto em minhas aulas particulares. Não é algo fácil, ainda mais quando todos os professores seguem métodos tradicionais, focados mais da sala de aula em si do que na língua. Mas os resultados estão vindo. Na semana passada eu fechei o terceiro bimestre com meus alunos do estágio. Estou dando aulas para alunos do primeiro ano do Ensino Médio. Eu pedi então que eles escrevessem uma redação dizendo “o que eu aprendi no terceiro bimestre“, englobando não somente o conteúdo, mas tudo, tudo o que eles aprenderam comigo. Alguns alunos escreveram coisas muito interessantes, que eu deixo aqui no post, como uma amostra do que eu procuro numa aula de línguas (lembrando que estou ensinando inglês para eles).

“Eu aprendi no terceiro bimestre a estudar Inglês, a ler o Inglês de outra forma, pegar a prova de Inglês depois de feita e estudar por ela… Foi muito bom ter aula com outra pessoa, na real foi ótimo”.

“O modo como ele explica as frases é muito mais fácil de entender, porque ele ‘brinca’ com as palavras… Gostei muito de suas aulas, porque se o aluno não entende ele repete até a pessoa entender”.

“O professor Mairo, de maneira didática e com aulas práticas me mostrou um lado do inglês que eu não conhecia… Espero que no próximo bimestre seja assim, com aulas comuns em sala de aula, aulas práticas e até extraclasse, para que assim possamos chegar em casa, para nossa mãe, e dizer: passei”.

“Enfim, acabei gostando muito das aulas, elas me ajudaram pra caramba, o professor ajudou bastante gente com seu jeito de ensino super diferente… Sei que mais pra frente tudo isso vai me ajudar em algo, em muitas coisas, talvez em trabalhos, me ajudar realmente como pessoa. Foi muito bom e eu te agradeço muito por isso”.

E para finalizar, não podem faltar as pérolas…

“Ai prof, eu não gosto de ficar escrevendo, é muito chato e muito demorado. Eu gosto da coisa rápida, coisa que dá resultado rápido, é que nem um menino quando fala demais, estraga, enrola muito”.

“Aprendi que colar é mais fácil do que pensam…”

Espero que tenham gostado, até a próxima!

 

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3 Responses to O mestre e seus princípios

  1. Cohge says:

    Os comentários foram fodas!

    Parabéns! Espero encontrar grandes mestres em meu caminho =)

    jaa ne

  2. says:

    Quem fala não sabe, quem sabe não fala.
    E eu falei isso.

  3. Raquel says:

    Ah, concordo, concordo! Ainda sou nova, mas já me apercebi disso. E penso que não se aplica somente às línguas; tenho a minha vida direccionada para as ciencias e vejo que um professor que não saiba aplicar aquilo que desbobina na aula no seu dia a dia, então nunca conseguirá que os seus alunos compreendam na totalidade aquilo que ele diz ensinar. Aff, como gostava que mais gente soubesse ver isso…

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