O que você precisa da gramática

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No ano passado participei de um mini-curso de “Gêneros Textuais, Gramática e Ensino” com o Professor Luiz Carlos Travaglia. Foram três dias de longas aulas/palestras com o professor. Basicamente ele explicou sua teoria a respeito dos gêneros textuais e como isso pode ser usado no ensino de língua portuguesa. A questão da gramática também foi amplamente discutida. Três pontos me chamaram muita atenção neste curso: 

1. Como a gramática deve ser ensinada
2. Como a grande maioria dos professores não entende o que as teorias de Travaglia querem dizer e acabam usando-as de maneira errada em sala de aula
3. Como as teorias podem ser trazidas para o campo da língua estrangeira

Trato aqui da questão da gramática, usando alguns exemplos que o professors Travaglia mostrou no mini-curso e peço que tendem entender como isso também se aplica aos nossos estudos de japonês.

Tomemos o seguinte exemplo:

O menino comeu o bolo.

Quanto do bolo o menino comeu? Uma parte ou o bolo inteiro? Sabemos que é o bolo inteiro, pois está escrito “comeu O BOLO”. No entando, você nunca vai encontrar uma gramática que diga que artigos como “o” indicam quantidade. Se falarmos “O menino comeu bolo”, não sabemos se foi um, dois ou uma parte do bolo. No entanto, “o menino comeu o bolo” ou “o menino comeu um bolo”, nos dão noção de quantidades, porém usando um artigo “o, um” que gramaticalmente não significa quatidade. Vamo a outro exemplo:

Ana chega amanhã.

Me digam qual o tempo dessa frase? Quando a Ana vai chegar? Hoje ou amanhã? Observe que temos um verbo no presente “chega”, mais o frase indica um tempo futuro. Podemos dizer, ao contarmos a história do Brasil que “Em 1500 será descoberto o Brasil”, indicando algo passado mas usando um verbo no futuro. Ou seja, tempo verbal e tempo real indicado no texto não são a mesma coisa! Antigamente costumavam dizer que narrações tem que ter verbos no passado. Eu fui na casa de minha vó, eu comi bolo, eu dormi lá”. Agora se digo, “Muito tempo atrás, num domingo, vou à casa de minha vó, como bolo e então durmo a tarde inteira”, estou me referindo ao presente? Não, estou usando verbos no presente para expressar um tempo passado. Porém as gramáticas sempre nos falaram que narrações tem que ter verbos no passado não é mesmo?

Enfim… onde quero chegar com isso? No que o professor Travaglia falou:

“Não importa para um aluno saber que “um” é artigo, que serve para isso ou para aquilo, que é usado em determinada situação, o que seja. Importa para o aluno saber que ao falar “comeu o bolo” ele está dando a entender que comeu todo o bolo”.

Eu dou outro exemplo: “No site Como Aprender Japonês, onde encontramos muitas dicas…”, seria mais adequado usarmos “No site Como Aprender Japonês, no qual encontramos…”, pois “onde” normalmente se usa para lugares físicos. Não precisamos saber a nomeclatura gramatical de “no qual” ou “onde”, ou suas regras de uso, etc. Precisamos saber que significado esses termos geram em nossas frases!

Quando estudamos línguas estrangeiras temos que pensar desse modo, principalmente ao estudarmos a gramática. Temos que ter em mente que devemos estudar a gramática através da língua, não a língua através da gramática. Regras e nomeclaturas gramáticais servem somente para nos tirar do contado com a língua estudada. De que adianta saber que isso chama artigo, aquilo chama substantivo e isso é um complemento nominal? Isso só vai complicar mais a nossa cabeça. Estaremos tentando entender algo complicadíssimo em português numa língua estrangeira, o que fica ainda mais complicado! Se ao invés disso, focarmos em saber qual o “efeito de sentido” provocado por estruturas gramaticais, como elas sçao usadas e o que significam, veremos que os estudos da gramática podem ser muito mais efetivos e tranquilos.

Assim, a idéia é estudar a gramática de um modo diferente, estudando o que realmente importa e deixando de lado nomeclaturas e regras desnecessárias para quem tem pretenções de somente ser fluente na língua. Estudiosos, linguístas, etc., estes sim podem se aprofundar nos estudos, mas nós, eu e você, que queremos falar, escutar ler e escrever em japonês, podemos deixar isso de lado e focar na língua em si.

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