Output e aprendizado de línguas

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O seguinte texto é uma transcrição de um texto em áudio do Steve Kaufmann, falando sobre Output. Eu fiz bem por cima, para vocês terem uma idéia geral, pois como tinha somente o áudio, foi tudo de ouvido. Espero que gostem. Quem quiser escutar o original, aqui está o link.

Output e aprendizado de línguas

Muitos de vocês devem saber que eu coloco muita ênfase em Input como uma método chave para o aprendizado. Por exemplo, em meus estudos de Russo, a maior parte do tempo eu estou simplesmente escutando. Eu comecei com coisas bem simples, como por exemplo o “The Power of the Linguist” (n.t. “The Power of the Linguist” é uma história em texto e áudio, voltada para iniciantes) que foi traduzido para o Russo no LingQ, eu também uso outras coisas simples, que eu escuto 20 ou 30 vezes. Antes do LingQ ser lançado eu costumava usar o “Help yourself in Colloquial Russian” e qualquer outra coisa que tivesse em mãos, sempre lendo, escutando e salvando palavras. Obviamente, quando comecei a usar o LingQ eu pude manter estatísticas de meus estudos, pude salvar palavras num banco de dados, e também fui capaz de ver que ao começar com textos de literatura russa, o que foi por volta de 4 meses depois de começar a estudar Russo, inicialmente eu tinha 50-60% de palavras desconhecidas nos textos, de modo que foi realmente difícil trabalhar com os textos. Eu pegava pequenas partes do texto, salvava palavras e escuta várias vezes, voltando ao texto depois e sempre mantendo esse movimento. Agora, neste momento o LingQ me diz que, para maior parte do material de literatura russa eu tenho por volta de 20% de palavras desconhecidas. Isso significa que quando eu escuto e leio coisas que não entendo, eu sinto que ainda tenho de baixar essa porcentagem para 10% ou menos. Quando eu aprender tantas palavras que possa pegar um texto de literatura russa ou uma artigo, ou o que for que seja, e tenha menos de 10% de palavras desconhecidas, então vou pensar que atingi o nível em que tenho que focar em output e gramática, ao invés de ler a escutar simplesmente procurando entender. Eu posso então a começar a salvar palavras e frases que contenham, por exemplo, mudanças de caso e outras coisas que existem no Russo… Este vai ser o tempo que falarei mais e escreverei mais. Então qual o papel do Output nos estudos iniciais, para estudantes iniciantes?

Eu acredito que output é importante para iniciantes. Falando de “speaking”, não tanto como uma oportunidade de aprender a língua, mas sim para outros propósito. Primeiro, para manter você motivado, quando tiver que falar com um professor ou um tutor por exemplo. Quando você fala você nota coisas que tem dificuldade e pode então procurar por estas quando estiver lendo e escutado. Embora eu ainda acredite que escrever é mais eficiente quando tratamos de achar problemas, creio que os dois, escrever e falar são importantes, mesmo quando corrigimos alguém falando e esta pessoa tende continuar cometendo o mesmo erro… Enfim, é algo importante, mais como um desafio, porém o mais importante é saber que fazer somente “conversations” não é algo que vai ajudá-lo a aprender a língua, por várias razões. Primeiro de tudo, por que é muito difícil ter uma conversa somente “por ter uma conversa” com alguém que você não tem interesse em ter uma conversa, sobre assuntos como “o que você fez no fim de semana”, “o que você pensa do aquecimento global”, etc. E mesmo falando isso, logo não há mais o que falar quando você não tem um interesse genuíno em ter um conversa, o que ainda torna-se mais difícil pois é feito numa língua estrangeira.

Assim, um pouco de escrita ou fala, uma ou duas vezes por semana, apenas uma pouco, e um foco maior em Input, até você atingir um nível no qual sua compreensão tanto de áudio como sua habilidade de ler, quando você estiver num ponto que você goste de ler na língua que estuda, no qual sua habilidade de compreensão se tornou tão forte, você então pode pegar o que “construiu” e ir para a parte de Output. E eu acredito que nessa hora, se você deu enfoque em Input, em ler e escutar, você terá um forte vocabulário, confiança, até mesmo melhor pronúncia do que aqueles que estudaram ao modo tradicional. Por modo tradicional eu digo “fazer o capítulo 1, aprender a falar o que esta no capítulo 1, fazer os execícios e quando terminar ir para o capítulo 2“, ou então “sentar numa classe com 20 pessoas que falam a língua que você quer aprender muito mal“, assim você está imerso num ambiente no qual a língua não é a língua autêntica, falada por falantes nativos, com real significado, mas sim vários estudantes ‘tropeçando’, assim como você, o que eu creio ser um mal ambiente para o aprendizado.

Assim, Output é importante, mesmo num estágio inicial, mesmo para um estudante focando em Input, em ler, escutar e aprender vocabulário, acostumando-se com a língua, uma ou duas vezes por semana, como um desafio, inicialmente em conversas um-a-um, pois em grupo ainda seria algo complicado, e só depois de alguns meses começar a fazer discussões em grupo, ainda assim somente uma ou duas vezes por semana, assim como escrever, pois é escrevendo que você vai achar onde estão seus maiores problemas.

Por fim, o mais importante é não ficar desapontado por não saber como dizer alguma coisa. Eu não acredito em pessoas que dizem que você precisa de somente 800 palavras numa língua e pode ser fluente, não, você não pode. Ou que se você aprender “cinco frases para usar no banco ou no restaurante” isso vai ser suficiente. Pode até ser se você quer somente “ir ao México e dizer ‘buenos dias’ para algumas pessoas“, mas se você quer aprender uma língua isso não vai funcionar. Eu acredito que uma fase inicial de Input e silêncio, seguida de uma forte fase de Output, na qual você sentirá muito mais confiança, é o melhor camino.

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