Reflexões sobre métodos de estudo de línguas estrangeiras

ebook-728x90

Recentemente eu venho experimentando vários métodos de estudo, como vocês podem ver aqui no blog. Creio que eu poderia dividir os métodos que conheço em três tipos: os métodos tradicionais, que utilizam livros didáticos e nos quais você aprende na aula com um professor; o método AJATT, focado em sentenças e uso de SRS; e o método LingQ, criado por Steve Kaufmann, que visa aprender bascimente através de leitura e escuta. Das três abordagens a que eu conheço melhor é a primeira, o método tradicional. Foi assim que estudei dois anos aqui no Brasil e um ano no Japão. Os outros dois métodos eu conheci há alguns meses atrás, e andei meio que variando e experimentando com eles. Ambos tem bases nas idéias de Stephen Krashen, mas diferem em certos aspectos. Steve Kaufmann parece não concordar com o uso de SRS, e defende que devemos, ao invés de focar no SRS e em flashcard, focarmos sim na leitura. Steve me disse por e-mail, quando eu perguntei o que achava do AJATT [All Japanese All The Time], que ele não estava “flashcarding all the time” e sim “reading and listeing all the time“. Ok, boa frase… porém, logo que conheci o AJATT eu comecei a usar um SRS e dicionários monolinguais. O resultado veio muito rápido! O SRS aumenta seu vocabulário muito rapidamente, e o uso de dicionários monolinguais muda drasticamente sua capacidade de leitura, principalmente em termos de velocidade. Ao descobrir o métode LingQ, deixei um pouco de lado o SRS para focar em ler e criar listas de palavras de minhas leituras. De mesmo modo voltei aos dicionários bi-linguais. Método bom, pois ao estudar as palavras e reler um texto, parece que seu cérebro se acostuma com a língua e coisas que não faziam sentido começam a fazer… parece mágica! No entando eu comecei a esquecer muitas palavras, o que não acontecia tanto assim usando o SRS… No final acabei voltando aos SRS, porém com dicionários bi-linguais.
Enfim, conclusões: um combinação dos dois métodos é o ideal. Pensando sobre os dois métodos e sobre o que dizem tanto Steve Kaufmann quanto Katsumoto [o criador do AJATT], cheguei a conlusão de que o mais importante, acima de qualquer método pré-definido, é se divertir. Esse é o ponto principal das idéias de Steve Kaufmann e Katsumoto, e é o que aproxima os dois métodos. No entando Katsumoto propões que você aprenda fazendo o que gosta, e tire sentenças dessas coisa e coloque no seu SRS. Já Steve tem o LingQ, que é o que podemos chamar de fato de método. Usando o site você lê, escuta, estuda palavras, pode fazer discussões, enviar textos para serem corrigidos, etc., tudo escolhendo textos sobre assuntos que você gosta. Porém, somente o LingQ e mais nada se torna algo não muito divertido, pois você só tem as opções de texto e áudio. Nada de filmes, games, músicas, etc…

Eu notei que mais do que ler, eu gosto de jogar video-game. O tempo que eu posso passar jogando video-game é muito maior que o tempo que eu posso passar lendo e escutando. Assim, seguindo novamente as idéias de Katsumoto, creio que o que deve ser feito é adaptar o método ao aprendiz. Eu posso seguir lendo a salvando palavras, usando o LingQ, mas o tempo que não estiver fazendo isso eu posso jogar vide-game [em japonês claro], não é mesmo?

Às vezes eu penso: “nossa, ainda não revisei meus kanjis do RTK e nem minhas frases do Anki, passei horas jogando…”. Mas se foram horas jogando em japonês, lendo os diálogos, revendo palavras e kanjis, entendendo a língua, em contado com a língua, será que foi um tempo perdido? Claro que não!

Penso que esse deve ser o fator maior no aprendizado, conseguir juntar o “útil ao agradável”. Claro que sempre se faz necessário o estudo formal. Eu tenho de continuar a estudar o RTK e colocar e revisar frases no SRS. Assim como eu pretendo utilizar o LingQ [não utilizo porque não está funcionando corretamente para o idioma japonês]. Porém creio que o que vai me dar o feeling de verdade vai ser as horas de video-game, anime, podcasts, etc…

Conclusão, o mais importante é aproveitar seus estudos e divertir-se com a língua, aprendo fazendo coisas que você gosta, na hora que você gosta! Esse é um assunto bom que pretendo desenvolver melhor em futuros posts. Eu creio que o LingQ é realmente o melhor método para se aprender línguas, no entanto AJATT traz algumas idéias interessantes que talvez ainda não constituam um método em si, porém são de grande valor.

Saber aprender utilizando diferentes fontes, como livros, internet, games, filmes, músicas, etc., creio ser talvez o maior dos “métodos”. Ser capaz de juntar todos os métodos em um único e próprio método talvez seja a chave do problema.
Comentários por favor.

Gostaria de receber dicas de japonês direto no seu email? Basta digitar seu e-mail aqui e clicar “Assinar”

This entry was posted in Uncategorized. Bookmark the permalink.