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Cesar Cielo – Ganha quem QUER mais!

Posted on the August 5th, 2009 under Dicas para aprender japonês by Mairo

Como o Cesar Cielo foi campeão do mundial de natação, resolvi republicar este texto, que escrevi quando ele ganhou as olimpíadas. Boa leitura!

Quem viu o Cesar Cielo ser campeão olímpico de natação? Depois que o Cielo garantiu nosso único ouro até o momento em Pequim, eu vi o Gustavo Borges falando sobre o que o nadador precisa para ser campeão: fazer o básico (largada, chegada, etc), nadar bem (óbvio) e querer.

Quem quer mais é que vai ser campão”, Gustavo Borges.

E no jogo de aprender línguas vale o mesmo. Quem quer mais é que vai aprender! Esse é um problema antigo no aprendizado de línguas. Estudantes sem motivação alguma, mas que por algum motivo qualquer querem aprender um idioma e então vão fazer cursos, ou pagam aulas particulares, quando na realidade não querem de verdade aprender, simplesmente precisam do idioma por algum motivo, normalmente trabalho. Esses estudantes dificilmente vão aprender. É como nadar uma prova de 50 metros simplesmente por nadar, sem vontade de vencer, de ser campeão. Todos os campeões tem uma coisa em comum: a vontade de ser campeão. Não nadam ou jogam ou estudam pelo dinheiro, mas sim porque querem se superar, querem vencer. Do mesmo modo todos os estudantes que sucedem no aprendizado de línguas compartilham a vontade de aprender, a vontade de entender a produzir o idioma que estudam.

Indo além na minha comparação, as diferenças entre competidores de alto nível são mínimas. Micheal Felps, maior nadador na história, ganhou uma de suas medalhas por 0,01 segundos de diferença para o segundo colocado. Sabe o que ele falou para o Cielo? “Essa foi por um centésimo de segundo, então coloca a mão na parede (da piscina) a mais cedo possível que você ganha!”. Pois quando estudamos línguas, não importa muito quem tem mais jeito, quem aprende mais fácil, etc. É quem quiser mais, quem “colocar a mão na parede mais cedo”, esses são os que vão aprender, esses serão os campeões!

Língua e esporte tem muito em comum. Diferente dos outros tipos de estudo, língua é algo que necessita prática, treino, paciência e persistência. Por mais que os professores “modernosos” venham com esses papos de sala de aula dinâmica, aulas assim ou assado, psicologia, seilaoquegia, etc. Tudo isso é uma imenso blá-blá-blá para encher as salas de aulas de alunos que pagam mensalidades caríssimas. Tomando as palavras do Gustavo Borges, para ser campão você precisa:

  1. Fazer o básico: estudar, e com regularidade;

  2. Nadar bem: saber estudar, estudar bem! É melhor fazer exercícios ou ler um texto? É melhor estudar com romaji ou com kana/kanji?

  3. Querer: você tem que querer aprender, nada de “preciso aprender”. Se você não gosta ou não quer aprender, melhor tentar fazer outra coisa.

Bom, espero que o texto ajude você a dar uma melhorada nos seus estudos, ou pelo menos refletir um pouco, já que essa é uma lição que serve para muitas coisas na nossa vida. Até a próxima!

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SRS – Como lembrar de tudo que você estuda!

Posted on the January 27th, 2009 under Materiais para estudar japonês by Mairo

anki-srsImagine poder lembrar de tudo que você estuda? Imagine poder decorar todas as leis de seu livro de direito, todas as fórmulas químicas do cursinho e, no caso de  nós estudantes de Japonês, todos os ideogramas, seus significados e leituras. O que muita gente não sabe é que existe uma forma de fazer isso que não exige horas e horas e esforço e sofrimento em cima dos livros. Essa forma chama-se Spaced Repetition (repetição espaçada).

Nós temos dois tipos de memórias: a de curto e a de longo prazo. Na memória de curto prazo estão as coisas passageiras, que logo esqueceremos. Na memória de longo prazo estão coisas permanentes, que não esqueceremos dentro de um bom tempo (ou para sempre). A nossa memória de curto prazo é uma muita fraquinha, muito mesmo. Se eu te ensinar que KIATSUKEI é barômetro em Japonês, muito provavelmente você vai esquecer disso daqui um ou dois dias. Já a memória de longo prazo é muito forte. Eu lembro do telefone da minha vó até hoje (eu costumava passar os fim de semenas na casa dela), mesmo fazendo mais de dez anos que eu não disco esse número! Spaced Repetition é uma forma de estudar em que passamos as informações em nossa cabeça da memória de curto prazo para nossa memória de longo prazo. Para fazer isso, revisamos as informações regularmente, sempre um pouco antes de esquecer as mesmas. Por exemplo: hoje eu te ensinei que KIATSUKEI em Japonês significa barômetro.  Você lembrará disso por uma dia. Amanhã, eu te pergunto “como se fala barômetro em Japonês?” e você faz um esforço e diz “KIATSUKEI”. Esse esforço que você fez, forçou um pouco a passagem dessa informação do curto para o longo prazo. Agora, provavelmente você vai lembrar disso durante uma semana. No final da semana, quando você está quase esquecendo que KIATSUKEI significa barômetro, eu te pergunto novamente “então, ainda lembra como falar barômetro em Japonês?”, você pensa, concentra-se e responde: KIATSUKEI. Agora você está começando a memorizar essa informação. Daqui a um mês eu posso te perguntar novamente, e caso você lembre eu pergunto daqui a três meses. Para o caso de você não lembrar, voltamos atrás e diminuímos os intervalos. Com o tempo e as repetições espaçadas, a informação vai deixando a memória de curto prazo e passando para a memória de longo prazo. Essa técnica é extremamente poderosa, pois exige pouco esforço, apenas regularidade. O problema é que fazer isso manualmente é muito complicado. É agora que os computadores entram em ação!

SRS (Space Repatition System) são programas de computador que permitem que você crie flashcards (cartões pergunta-resposta) e teste seus conhecimentos nestes seguindo a lógica das repetições espaçadas. Funciona da seguinte maneira: você cria cartões resposta do tipo…

P- Como falar gato em Japonês?
R- Gato em japonês é Neko.

…e o programa, ao longo dos dias, vai te testando nesses cards. Seu trabalho é criar os cards e revisá-los todos os dias, sempre lembrando que quem define o que você vai revisar é o programa, não você. Os resultados do bom uso de um SRS são incríveis: o que você colocar lá, você vai lembrar, ponto.

Porque então não existem milhares de pessoas que lembram de tudo, sabem todas as leis dos livros de direito, todas as fórmulas químicas e todos os ideogramas japoneses? A resposta é simples: o uso de um SRS requer regularidade e dedicação. Por menor que seja o esforço, tendemos a preferir estudos mais intensos do que regulares. Revisar um SRS todos os dias durante meses ou anos não é tarefa fácil. Não basta decidir que você vai revisar todos os dias, é preciso criar o hábito de revisar todos os dias. Criar um hábito necessita um tempo de adaptação, normalmente umas três semanas de esforço, lembrando todo dia que “tenho que fazer X”. O bom é que uma vez que você cria o hábito, você simplesmente “faz” o que tem de fazer ao invés de fazer porque “tem que fazer”.

Qual SRS devo usar?

Existem vários SRSs por aí, mas o melhor de todos é o ANKI. Ele é free (grátis), é bonito e tem muitas opções. Acesse o site do Anki para baixar o programa e confira este ótimo guia de como usar o programa.

Abraços a todos!
Mairo Vergara

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