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Kanji – O guia completo!

Posted on the October 7th, 2009 under Ideogramas japoneses by Mairo

Kanji, os ideogramas japoneses, chamam muito atenção e confundem muita gente na hora de estudar. Para acabar de vez com qualquer mistério sobre o assunto, resolvi fazer um guia completo sobre os ideogramas japoneses.

Kanji ou Kanjis?

Bom, a primeira coisa que você tem que saber sobre os ideogramas japoneses é que eles são chamados de KANJI. Uma coisa curiosa é que não existe o plural de kanji (“kanjis”), embora, muitas vezes, costumemos escrever “kanjis”. Quando falamos “o kanji”, estamos falando sobre os ideogramas em geral. Para se referir e um único kanji, podemos dizer “um kanji”. Particularmente, eu preferindo usar “ideogramas”, quando me refiro a vários “kanji”.

O que é exatamente um Kanji?

Uma imagem vale mil palavras…

kanji-amor

O kanji é literalmente um ideograma, o que, segundo o dicionário, significa “sinal que não exprime som nem articulação, mas ideias”. E o kanji, em sua essência, é exatamente isso: um sinal, uma figura, que exprime uma ideia. Esse que mostramos, exprime a idea de amor. Se você ver esse kanji em algum lugar, saberá que significa “amor”. É importante saber que, embora o kanji venha da China, ele, na realidade, não tem língua nenhuma, mas sim é usado por algumas línguas, como o chinês e o japonês, do mesmo modo que as letras romanas (a, b, c…) não tem uma língua específica, mas são usadas por centenas de línguas do mundo.

De onde veio o kanji?

Muito gente gosta de estudar a história do kanji, seja por curiosidade, seja como uma forma de aprender os ideogramas. O kanji nasceu na china, durante a dinastia HAN (KAN em japonês.) KAN significa “dinastia Han”, JI significa “letra”, assim “kanji” é literalmente “letra da dinastia Han”. Segundo a Wikipedia, Monges Budistas chegaram ao Japão no século V e trouxeram consigo textos em Chinês que foram então utilizados para criar um sistema de escrita japonesa, que ainda não existia naquela época. No início, só havia kanji, até que então foram desenvolvidos os dois silabários (hiragana e katakana), ambos baseados no kanji. Hoje em dia, os dois silabários e o kanji são usados ao mesmo tempo no sistema de escrita japonês. Na imagem abaixo, temos uma frase simples “watashi no namae wa mairo desu” (Meu nome é Mairo) em que são usados os dois silabários (hiragana e katakana) e o kanji, tudo ao mesmo tempo!

kanji-exemplo

A leitura do kanji?

Além de significado, o kanji também tem uma forma de ser lido. Essa é uma das partes mais complicadas do japonês, pois cada kanji tem diferentes formas de leitura dependendo do contexto. Um único kanji pode ser lido de 5 ou mais formas diferentes!  Dê uma olhada nessa imagem para ver como o mesmo kanji pode ser lido de duas formas diferentes…

kanji-sora

 

No primeiro caso, o ideograma de “céu” é lido SORA. No segundo, é lido “KARA”. Em ambos os casos o kanji exprime a idéia de “céu/vazio”. Karate é a arte das mãos (TE) “vazias” (KARA), ou seja, de usar suas mãos, e somente elas, como um arma.  As leituras são dividas em dois tipos: Onyomi e Kunyomi.

Onyomi

Onyomi é a leitura de origem chinesa do kanji. Ela é geralmente usada em palavras compostas, quando o kanji faz parte de outra palavra. Por exemplo, o kanji de rua/caminho 道 é lido “michi”, e seu onyomi é DO, como na palavra kendo 剣道 (caminho da espada).

Kunyomi

Kunyomi é o leitura japonesa do kanji. Ele é geralmente usado quando o kanji vem isolado de outras palavras. No exemplo anterior, o kanji 道 é lido MICHI. Michi é o kunyomi do kanji, que significa “rua/caminho”.

É importe saber que um único kanji pode ter mais de um onyomi e um kunyomi. É exatamente isso que torna o aprendizado complicado, pois dependendo do contexto, a leitura pode mudar!

Como Aprender o Kanji?

Essa é a grande pergunta! Como aprender o kanji! Bom, a primeira coisa que você tem que saber é que existem centenas de ideogramas! 2000 ideogramas são usados no dia-a-dia japonês, e para conseguir ler efetivamente em japonês é preciso conhecer praticamente todos eles! Os japonesas começam a aprender kanji na primeira série e só terminam no final do colegial! 12 anos aprendendo kanji! Claro que você não quer levar 12 anos para aprender, então vamos ver quais são as alternativas…

As dificuldades de aprender

Aprender kanji, com disse um professor meu, é um luta entre lembrar e esquecer (覚えると忘れるの勝負). Você vai precisar memorizar centenas de letras, riscos, leituras, significados, etc. Multiplique 2000 ideogramas por 3 leituras médias para cada kanji e você já tem 6000 leituras diferentes! Muito trabalho, não? Além disso, com o tempo, o kanji começa a confundir, você começa a achar que este é aquele e aquele é este, e por aí vai. Enfim, as dificuldades são muitas, mas nada que os métodos corretos são corrijam!

Quais os melhores materiais para aprender?

Os métodos normais para o ensino/aprendizagem são os seguintes…

1. Aprenda os silabários (hiragan e katakana) e ir então aprendendo o kanji aos poucos…

NÂO FUNCIONA! Quando você chegar nos 300-400 ideogramas, vai começar a confundir todos eles e achar que é impossível aprender 1000 ou mais ideogramas. Sem contar que a velocidade que você esquece é maior do que a velocidade que você aprende.

2. Escrever o mesmo kanji centenas de vezes num caderno…

Ok, todo estudante de japonês faz isso. PARE AGORA! Isso não serve para nada, absolutamente nada! Minto, serve para uma coisa: para confundir ainda mais os ideogramas na sua cabeça. Escute o que eu digo, escrever o mesmo kanji dezenas de vezes NÃO ajuda na memorização dos mesmo.

Esses dois métodos são os mais usados e realmente não funcionam. Se você tem dúvidas, vá para um escola de japonês e veja  quão bom são os estudantes. A grande maioria para na barreira dos 300-400 ideogramas. Disso, porque eu passei por isso! Felizmente, depois eu descobri que existiam outros métodos….

Os melhores métodos, na minha opinião, são…

1. Usar um SRS.

Você pode seguir o método de ir aprendendo aos poucos se você combinar isso com um SRS. Se você não sabe o que é um SRS, leia AQUI. Eu costumo usar o Anki. Quando eu estudava sem SRS, achava difícil aprender UM ideograma novo por dia. Com o SRS, você pode aprender 10, 20, 30 ou mais por dia…

2. Usar o Livro Remembering the Kanji.

Esse é, sem dúvida nenhuma, o melhor livro já feito para estudar kanji. Ele tem um método bem diferente, focado no significado do kanji. Muita gente crítica o método, mas a diferença de usá-lo ou não é muito grande. O único problema é que o método é em inglês, assim, você precisa ter um noção básica do idioma.

3. O melhor de todos! Combine os dois métodos. Remembering the Kanji e SRS!

Mais algumas dicas…

Uma boa dica é estudar kanji sempre dentro de um contexto. Assim, quando quiser saber um kanji, procure sempre um frase que use o kanji. Isso faz com que você sempre aprenda o kanji junto outras palavras e dentro de certa estrutura. Estudar ideogramas isolados dá muito mais trabalho e os resultados não são tão bons, assim, estude sempre frases e textos. Outra coisa importante é não ter medo de aprender kanji. Como kanji é a parte mais difícil dos estudos do idioma japonês, é bom você se dedicar bastante aos estudos dos ideogramas. Quanto mais cedo e com mais intensidade você estudar kanji, melhores serão os resultados. Se você seguir o caminho “aprender hiragana/katakana e kanji aos poucos”, só vai acabar se decepcionando lá pra frente, quando der de cara com a “parede de kanji” que eventualmente vem pela frente. Assim, minha recomendação final é: estude kanji o máximo que puder! Como eu disse, kanji nunca é demais!

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Clínica do Kanji #6 – Dicas sobre como fazer seu jardim de kanji florescer

Posted on the June 12th, 2008 under Ideogramas japoneses by Mairo

Coluna #6 da Clínica do Kanji, The Japan Times, 27 de julho de 2001 

Dicas sobre como fazer seu jardim de kanji florescer

Para: Diane Grace Shimizu
Re: Seu kanji dos sonhos

É com satisfação que venho recentemente participar dessa discussão sobre aprendizado de kanji. Você contou-me que está morando a três anos no Japão, desde que começou a trabalhar na maior companhia de eletrônicos de Tokyo. Nossos avós, que emigraram para a Califórnia vindos de Wakayama, estimularam um de seus netos a aprender a falar e ler na sua língua nativa.

Três anos se passaram, você tem começado a se familiarizar com aproximadamente 500 kanjis na turma de Japonês que a sua companhia oferece a empregados estrangeiros. O seu objetivo para os próximos anos é ter a habilidade de identificar um total de 1.000 kanjis ( kyouiku kanji), o qual deve permitir-lhe participar da turma mais avançada.

Então, assumindo seu interesse em ler livros escritos para estudantes que estão iniciando na língua japonesa, você não teria se frustrado, vendo seu tempo ser consumido na dependência de dicionários de kanji. Como aconteceria nos materiais para nível adulto, quando você já deveria estar apto para entender kanjis mais avançados. Deve-se ir devagar.

Considere isto: O ministério da educação exige dos jovens japoneses, mesmo daqueles que não possuem interesse em freqüentar uma escola de nível superior, que estudem todos os 1.945 caracteres de uso geral. Porque deveria você, um educado estrangeiro falante de japonês que provavelmente gastou muito de sua vida adulta trabalhando no Japão, contentar-se com menos?

Aprender kanji na proporção de algumas centenas de ideogramas por ano, Diane, deve fazer você se sentir num purgatório de kanji; como treinar sem conseguir atingir a verdadeira alfabetização. Isso significa que um aluno inteligente e motivado como você, levaria algo em torno de cinco anos para aprender 1.000, ou mesmo, 1945 caracteres.

Porque seu professor não tem lhe encorajado a colocar seu ponto de vista, e colocar seu olhos no centro do alvo ( por exemplo… todos os 1.945 kanjis)? Para descobrir, pergunte-lhe se é verdade que um americano que nunca colocou os pés em solo japonês até seus 20 anos pode se tornar mestre nos 1.945 kanjis. Pergunte-lhe se ele tem ensinado estudantes, em que a língua nativa deles não seja baseada em ideogramas ou kanjis, que de fato, alcançaram este objetivo. Ele provavelmente vai te responder que pode ajudá-la a confrontar essa baixa expectativa, tanto dos professores de kanji quanto dos estudantes, mesmo num ambiente rico em kanjis como o Japão.

Sim, kanjis estão por toda parte: a “terra do kanji” para estudantes no japão é incrivelmente fértil, e está a espera de um pingo de sua atenção para ser semeado. O “semear” é o particular sistema auto-instrução, onde você está cuidadosamente selecionando informações e aprendendo com si mesmo até se tornar especialista no assunto, com a convicção de que se tornará realmente alfabetizado no japonês.

Se você deseja colher os frutos de, digamos, maduros, vermelhos e deliciosos tomates de kanji no verão, saiba que somente plantar as sementes de kanji não é o bastante. A “água” e o “fertilizante” do seu jardim de kanjis são horas e horas de concentrado estudo devotado ao seu escolhido sistema de aprendizado. Graças a Deus, você tem observado este futuro particular todos os dias, não sendo tentado a simplesmente deixar seu kanji murchar por causa da sua ausência de cuidados. A dúvida que ocasionalmente lhe atormenta é se todo este jardim de kanjis realmente vale o esforço dispensado para retirar as ervas “daninhas” sem perder o entusiasmo.

Então, o que ainda falta? Existe mais uma coisa que suas sementes de kanji precisam desesperadamente: a luz do sol de seu sonho pessoal, um cenário envolvendo o nível adulto de alfabetização japonês. Em mais de cinqüenta anos no Japão, eu nunca conheci um estrangeiro que desenvolveu fluência na leitura e/ou escrita japonesa sem possuir o sonho pessoal de realizar isso.

Pessoalmente, o sonho é quem me capacita a colher os 1.945 caracteres. Eu normalmente estou na escrivaninha do escritório da faculdade, lendo uma montanha de papel da minha caixa de mensagens.

No sonho, eu não demoro a carregar estes documentos para casa toda a noite e ler para meu marido, ouvindo seus elogios repetidamente ao ver minha nova habilidade de leitura.

Você tem vivenciado seu sonho de kanji, Diane? Em Tokyo eu tenho sido surpreendido e desencorajado por realmente não ver estrangeiros lendo jornais japoneses. Você consegue sonhar lendo o jornal local? Vamos explorar isso na próxima vez.

Mary Sisk Noguchi é um professora associada ao Meijo University. Ela adora jardinagem de kanjis e cuidar de seus dois pequenos filhos. Envie um e-mail para Mary. kanjiclinic@aol.com

Traduzido do Inglês por Eduardo Monteiro, colaborador do Como Aprender Japonês
Artigo Original em Inglês em http://www.kanjiclinic.com/kc6final.htm

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