A importância da leitura em Japonês
Ler é sem dúvida nenhuma umas das mais importantes atividades tanto no aprendizado de nossa língua nativa quanto de línguas estrangeiras. Recentemente, numa discussão do grupo Nihongo-Br (o qual você é muito bem vindo a participar!) o Luiz Passari escreveu um post muito interessante:
Ler e entender sempre será mais fácil, e sempre seremos melhores nisso, em qualquer idioma, inclusive na língua-mãe. Eu sou um dos que passaram a acreditar que não é necessário gastar energias treinando falar ou escrever textos, e sim que essas habilidades vem automaticamente graças ao convívio com o idioma. É só olhar aqueles textos que estudantes de japonês de cursinhos comuns tentam escrever, é aquele japonês mais artificial do mundo, que mesmo que gramaticalmente não esteja errado, um japonês nativo nunca escreveria/falaria aquilo. Isso acontece por um simples motivo: Tentar forçar o output (falar e escrever – minha nota), formar as frases se baseando nas regras gramaticais com palavras que você nunca viu ou ouviu, ao invés de sair naturalmente baseado em experiências passadas. Pode ver que mesmo em português, a pessoa que fala e escreve bem é aquela que tem hábito de leitura, ninguém fez um curso especial para escrever bem, apenas tem um hábito de ler muito e com isso desenvolve automaticamente e naturalmente uma boa habilidade com a escrita.
Como o Luiz disse e eu confirmo, ler (e também escutar) nos leva a escrever e falar muito bem. Por exemplo, eu sempre tive problemas com a língua portuguesa, principalmente problemas de ortografia, e nunca escrevi bem. Quando estava então no primeiro ano da faculdade, comecei a ler muita literatura, principalmente Dostoievsky. Foi assim que em questão de menos de um ano de leitura eu passei de alguém que passou no vestibular com um 3 (de 10) na redação para um dos melhores alunos do curso de letras no quesito escrever bem. Mais interessante, quando viajei para o Japão em 2006 e nos dois anos seguintes, onde foquei minhas energias no estudo do Japonês e agora do Inglês, minha escrita em português simplesmente decaiu, pelo fato de eu ter parado de ler em português (embora eu leia diariamente, leio tudo em Inglês). Por mais estranho que pareça, no momento eu me sinto mais confortável para escrever em Inglês do que em Português. Mesmo sem tanto conhecimento e domínio da língua inglesa quanto da portuguesa, o fato de estar constantemente lendo e escutando Inglês faz com a língua flua mais facilmente para mim. O mesmo serve para Japonês. Quando estava no Japão eu costumava dizer para meu amigo dos USA: “Hoje não vou falar Inglês, cansa muito. Japonês é mais rápido e simples, não cansa, vou falar Japonês”. Na realidade Japonês não cansa mais do que Inglês, mas sim o fato de eu estar imerso na cultura e na língua fez com que eu produzisse o idioma mais naturalmente, de modo mais leve e rápido. Lembro de discutir uma vez com meu amigo e uma menina das Filipinas, e, quando fiquei P da vida, parei de falar Inglês e larguei tudo em Japonês. Meu amigo coitado não entendeu quase nada… Tudo isso quer dizer que o seu output é conseqüência direta do seu input. Se você lê e escuta muito em Japonês, conseqüentemente vai falar e escrever bem em Japonês. Se lê pouco e escuta pouco, não espere sair falando e escrevendo Japonês por aí.
Porém, quando tratamos de leitura em Japonês, surge uma inevitável questão: “Como eu leio aquele monte de ideogramas!”. A resposta é simples: “Lendo!”. De fato não há segredos, você precisa simplesmente ler, ler e ler. Existem vários métodos para estudar ou familiarizar-se com o Kanji. Simplesmente escolha o que você prefere e siga em frente, No entanto, mais do que praticar o método, você precisa ler, e ler muito, para fixar os ideogramas na sua cabeça. Lembre-se que os ideogramas são finitos (embora pareçam infinitos) e uma hora, se você continuar lendo, eles vão magicamente acabar, você sempre vai dar de cara com um ideograma que “já viu em algum lugar”, e conforme ler e estudar, cada vez menos terá dúvidas quando as leituras e significados.
Citanto outro post do Luiz Passari (meu novo herói!):
Eu já gosto de estudar kanji sempre dentro de um contexto, nunca funcionou para mim ficar repetindo a mesma letra várias vezes em um papel, funcionava a curto prazo, mas depois de uns 3 dias sem escrevê-lo, já era. Apesar dos japoneses fazerem isso na escola, penso que não é por isso que aprendem. Aprendem porque vêem kanji ao redor todos os dias, lêem tudo em kanji. O que tenho feito é tentar simular esse ambiente ao máximo, tento ler muito todos os dias, umas 150 páginas de manga, livros literários e revisar o deck de sentenças religiosamente todos os dias (estou com aproximadamente 2000 sentenças). Uma coisa que reparei é que estudando por palavras e frases, uma hora os kanjis acabam (obviamente) e tudo o que aparecer na sua frente está escrito com ideogramas que você já viu alguma vez na vida (mesmo que ainda não o conheça em detalhes), quando isso acontece é que você começa a memorizar de verdade. Quanto a escrevê-los, simplesmente abandonei isso por hora. Percebi que quando fazia o RTK os kanjis que eu já havia visto em algum contexto eu dava conta de lembrar facilmente, mesmo para escrever. Já os que ainda não conhecia, mesmo pensando em seus componentes e fazendo historinhas, era um pouco mais difícil. Além disso, naquela parte do Nouryoku Shiken em que aparece a palavra em hiragana e você precisa escolher o kanji correto, mesmo tendo ideogramas super-parecidos lá, de tanto vê-los em palavras diferentes eu passei a conseguir reconhecer o certo apenas ‘sentindo’ que as outras combinações não são familiares (mesmo que eu não consiga escrevê-lo de cabeça).
Por isso que, como meu foco atual é o JLPT 1 (que não exige escrita) e meus planos de estudar no Japão (onde teria que ser capaz de escrever a mão) são só para daqui 2 anos ou mais, estou me concentrando apenas em ser capaz de ler e compreender o maior número de palavras possível e, conseqüentemente, seus respectivos ideogramas. Percebi que conhecendo o kanji sendo usado em seus contextos mais comuns, aprender a escrevê-lo depois é uma mão-na-roda.
Bom, essa é minha opinião
Espero que tenham gostado do post,
Abraços,
Mairo Vergara
