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A importância da leitura em Japonês

Posted on the January 12th, 2009 under Dicas para aprender japonês by Mairo

leitura-japonesLer é sem dúvida nenhuma umas das mais importantes atividades tanto no aprendizado de nossa língua nativa quanto de línguas estrangeiras. Recentemente, numa discussão do grupo Nihongo-Br (o qual você é muito bem vindo a participar!) o Luiz Passari escreveu um post muito interessante:

Ler e entender sempre será mais fácil, e sempre seremos melhores nisso, em qualquer idioma, inclusive na língua-mãe. Eu sou um dos que passaram a acreditar que não é necessário gastar energias treinando falar ou escrever textos, e sim que essas habilidades vem automaticamente graças ao convívio com o idioma. É só olhar aqueles textos que estudantes de japonês de cursinhos comuns tentam escrever, é aquele japonês mais artificial do mundo, que mesmo que gramaticalmente não esteja errado, um japonês nativo nunca escreveria/falaria aquilo. Isso acontece por um simples motivo: Tentar forçar o output (falar e escrever – minha nota), formar as frases se baseando nas regras gramaticais com palavras que você nunca viu ou ouviu, ao invés de sair naturalmente baseado em experiências passadas. Pode ver que mesmo em português, a pessoa que fala e escreve bem é aquela que tem hábito de leitura, ninguém fez um curso especial para escrever bem, apenas tem um hábito de ler muito e com isso desenvolve automaticamente e naturalmente uma boa habilidade com a escrita.

Como o Luiz disse e eu confirmo, ler (e também escutar) nos leva a escrever e falar muito bem. Por exemplo, eu sempre tive problemas com a língua portuguesa, principalmente problemas de ortografia, e nunca escrevi bem. Quando estava então no primeiro ano da faculdade, comecei a ler muita literatura, principalmente Dostoievsky. Foi assim que em questão de menos de um ano de leitura eu passei de alguém que passou no vestibular com um 3 (de 10) na redação para um dos melhores alunos do curso de letras no quesito escrever bem. Mais interessante, quando viajei para o Japão em 2006 e nos dois anos seguintes, onde foquei minhas energias no estudo do Japonês e agora do Inglês, minha escrita em português simplesmente decaiu, pelo fato de eu ter parado de ler em português (embora eu leia diariamente, leio tudo em Inglês). Por mais estranho que pareça, no momento eu me sinto mais confortável para escrever em Inglês do que em Português. Mesmo sem tanto conhecimento e domínio da língua inglesa quanto da portuguesa, o fato de estar constantemente lendo e escutando Inglês faz com a língua flua mais facilmente para mim. O mesmo serve para Japonês. Quando estava no Japão eu costumava dizer para meu amigo dos USA: “Hoje não vou falar Inglês, cansa muito. Japonês é mais rápido e simples, não cansa, vou falar Japonês”. Na realidade Japonês não cansa mais do que Inglês, mas sim o fato de eu estar imerso na cultura e na língua fez com que eu produzisse o idioma mais naturalmente, de modo mais leve e rápido. Lembro de discutir uma vez com meu amigo e uma menina das Filipinas, e, quando fiquei P da vida, parei de falar Inglês e larguei tudo em Japonês. Meu amigo coitado não entendeu quase nada… Tudo isso quer dizer que o seu output é conseqüência direta do seu input. Se você lê e escuta muito em Japonês, conseqüentemente vai falar e escrever bem em Japonês. Se lê pouco e escuta pouco, não espere sair falando e escrevendo Japonês por aí.

Porém, quando tratamos de leitura em Japonês, surge uma inevitável questão:  “Como eu leio aquele monte de ideogramas!”. A resposta é simples: “Lendo!”. De fato não há segredos, você precisa simplesmente ler, ler e ler. Existem vários métodos para estudar ou familiarizar-se com o Kanji. Simplesmente escolha o que você prefere e siga em frente, No entanto, mais do que praticar o método, você precisa ler, e ler muito, para fixar os ideogramas na sua cabeça. Lembre-se que os ideogramas são finitos (embora pareçam infinitos) e uma hora, se você continuar lendo, eles vão magicamente acabar, você sempre vai dar de cara com um ideograma que “já viu em algum lugar”, e conforme ler e estudar, cada vez menos terá dúvidas quando as leituras e significados.

Citanto outro post do Luiz Passari (meu novo herói!):

Eu já gosto de estudar kanji sempre dentro de um contexto, nunca funcionou para mim ficar repetindo a mesma letra várias vezes em um papel, funcionava a curto prazo, mas depois de uns 3 dias sem escrevê-lo, já era. Apesar dos japoneses fazerem isso na escola, penso que não é por isso que aprendem. Aprendem porque vêem kanji ao redor todos os dias, lêem tudo em kanji. O que tenho feito é tentar simular esse ambiente ao máximo, tento ler muito todos os dias, umas 150 páginas de manga, livros literários e revisar o deck de sentenças religiosamente todos os dias (estou com aproximadamente 2000 sentenças). Uma coisa que reparei é que estudando por palavras e frases, uma hora os kanjis acabam (obviamente) e tudo o que aparecer na sua frente está escrito com ideogramas que você já viu alguma vez na vida (mesmo que ainda não o conheça em detalhes), quando isso acontece é que você começa a memorizar de verdade. Quanto a escrevê-los, simplesmente abandonei isso por hora. Percebi que quando fazia o RTK os kanjis que eu já havia visto em algum contexto eu dava conta de lembrar facilmente, mesmo para escrever. Já os que ainda não conhecia, mesmo pensando em seus componentes e fazendo historinhas, era um pouco mais difícil. Além disso, naquela parte do Nouryoku Shiken em que aparece a palavra em hiragana e você precisa escolher o kanji correto, mesmo tendo ideogramas super-parecidos lá, de tanto vê-los em palavras diferentes eu passei a conseguir reconhecer o certo apenas ‘sentindo’ que as outras combinações não são familiares (mesmo que eu não consiga escrevê-lo de cabeça).

Por isso que, como meu foco atual é o JLPT 1 (que não exige escrita) e meus planos de estudar no Japão (onde teria que ser capaz de escrever a mão) são só para daqui 2 anos ou mais, estou me concentrando apenas em ser capaz de ler e compreender o maior número de palavras possível e, conseqüentemente, seus respectivos ideogramas. Percebi que conhecendo o kanji sendo usado em seus contextos mais comuns, aprender a escrevê-lo depois é uma mão-na-roda.

Bom, essa é minha opinião

Espero que tenham gostado do post,

Abraços,

Mairo Vergara

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O mestre e seus princípios

Posted on the October 8th, 2008 under Dicas para aprender japonês by Mairo

Um bom professor não é aquele que simplesmente ensina algo, que simplesmente transmite determinado conhecimento e pronto. Se fosse assim qualquer um virava professor. Na realidade, muita gente ainda tem essa concepção, e daí você, pobre professor, tem que escutar piadas do tipo “ok, mas além de dar aula você trabalha de que?”. E de quem é a culpa? Dos próprios professoras! Dos professores que dão suas aulinha, mandam os aluninhos fazerem o exerciciozinho, a provinha e pronto, dáo a nota. Como se os launos fossem todos fossem uns robôs que tem serem alimentados com informações dos mais diversos tipos…

O verdadeiro professor não é um mero transmissor de conhecimentos. O bom professor é um mestre. Isso mesmo: um MESTRE. É o cara que sabe mais, que viveu mais. E sabe como se formam bons mestres? Com bons mestres! É por isso que ninguém aprende a ser bom professor com aula de didática e psicologia, pois normalmente os professores de didática e psicologia não tem didática nem psicologia nenhuma! Acredite, sou filho de um psicólogo casado com uma educadora, e tudo que falta na minha casa é psicologia e didática. Vivendo e aprendendo, não é mesmo?

Assim, é convivendo, estudando com bons professores, com bons mestres, que você de fato vai aprender a ser um bom professor, um bom mestre.

São muitas as qualidades necessárias para formar um bom mestre, mas com certeza a maior e mais importante de todas elas é que este conheça os princípios fundamentais do que estuda/ensina. Não é questão somente de dominar o assunto que se ensina, mas sim de entender, compreender o que é e como funciona esse assunto. Na área de línguas estrangeiras o grande problema é que nossos cursinhos de línguas, nossas metodologias intersociocomunicativas e nossos professores intelectualóides criaram uma concepção que associa língua com sala de aula, o que não é verdade! Eu tenho uma ótima professora de inglês, que só não será uma das melhores professoras de inglês que jamais conhecerei pelo fato de fazer tudo voltado somente para a sala de aula. É um pensamento simples,  que infelizmente esta impregnado na cabeça dos nossos professores de línguas, que em inglês funciona da seguinte maneira:

Language Learning > Classroom

Em japonês seria:

言語学習 > 教室

Isso é errado! Língua não tem quase nada a ver com sala de aula, talvez não tenha absolutamente nada a ver! Quando você nasce, mandam-te para uma sala de aula onde você aprender a falar? Óbvio que não! A língua nasce no convívio, no escutar e repetir, com seus pais, sua família, seus amigos, etc. Por que quando vamos para outro país aprendemos muito mais saindo com os amigos do que na sala de aula? Por que estudantes mais experientes preferem aprender por conta própria do que pagar por aulas? Por que você aprende muito mais depois do cursinho, quando começa a ler, escutar, falar e escrever em contextos naturais, e não porque tem que fazer o dever de casa ou mesmo falar com os colegas dentro da sala de aula? É só pensar um pouco, ter a mínima noção, e você vai ver que língua e sala de aula não tem nada a ver.

Ok, não vim aqui para escrever um tratado contras as salas de aula. Vim aqui sim para explicar que esse é um dos princípios básicos do aprendizado de idiomas. Que a língua é algo que vai muito além de uma sala de aula. Você não precisa deletar a sala de aula, precisa sim usar a sala de aula de modo a mostrar isso para os alunos, como um lugar em que, mais do que ensinar a língua, ensina-se o que é, como funciona uma língua e o que ela pode te trazer de bom. É o lugar para estimular, o lugar para fazer a motivação dos alunos vir à tona!

Eu ainda estou procurando isso, tanto em minhas aulas em sala de aula, quanto em minhas aulas particulares. Não é algo fácil, ainda mais quando todos os professores seguem métodos tradicionais, focados mais da sala de aula em si do que na língua. Mas os resultados estão vindo. Na semana passada eu fechei o terceiro bimestre com meus alunos do estágio. Estou dando aulas para alunos do primeiro ano do Ensino Médio. Eu pedi então que eles escrevessem uma redação dizendo “o que eu aprendi no terceiro bimestre“, englobando não somente o conteúdo, mas tudo, tudo o que eles aprenderam comigo. Alguns alunos escreveram coisas muito interessantes, que eu deixo aqui no post, como uma amostra do que eu procuro numa aula de línguas (lembrando que estou ensinando inglês para eles).

“Eu aprendi no terceiro bimestre a estudar Inglês, a ler o Inglês de outra forma, pegar a prova de Inglês depois de feita e estudar por ela… Foi muito bom ter aula com outra pessoa, na real foi ótimo”.

“O modo como ele explica as frases é muito mais fácil de entender, porque ele ‘brinca’ com as palavras… Gostei muito de suas aulas, porque se o aluno não entende ele repete até a pessoa entender”.

“O professor Mairo, de maneira didática e com aulas práticas me mostrou um lado do inglês que eu não conhecia… Espero que no próximo bimestre seja assim, com aulas comuns em sala de aula, aulas práticas e até extraclasse, para que assim possamos chegar em casa, para nossa mãe, e dizer: passei”.

“Enfim, acabei gostando muito das aulas, elas me ajudaram pra caramba, o professor ajudou bastante gente com seu jeito de ensino super diferente… Sei que mais pra frente tudo isso vai me ajudar em algo, em muitas coisas, talvez em trabalhos, me ajudar realmente como pessoa. Foi muito bom e eu te agradeço muito por isso”.

E para finalizar, não podem faltar as pérolas…

“Ai prof, eu não gosto de ficar escrevendo, é muito chato e muito demorado. Eu gosto da coisa rápida, coisa que dá resultado rápido, é que nem um menino quando fala demais, estraga, enrola muito”.

“Aprendi que colar é mais fácil do que pensam…”

Espero que tenham gostado, até a próxima!

 

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