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Japonês – Vamos criar um método de ensino?

Posted on the February 17th, 2008 under Dicas para aprender japonês by Mairo

Nesses últimas dias estive pensando sobre um curso ideal [no meu novo blog de inglês!] e em como poderia montar um curso/método de japonês, caso isso seja possível. Recentemente me perguntaram se eu tinha interesse em montar um curso/método e a princípio eu disse que não, que cada aluno devia achar o método/curso com que se adaptasse melhor. Porém como estou dando algumas aulas de japonês, comecei a pensar que ter um certo método pré-estabelecido poderia ajudar. Porém um método de estudo do Como Aprender Japonês deveria seguir alguns princípios: 

1. Uso de um SRS – Até hoje eu não vi nada que desse melhores resultados que um SRS, seguindo a filosofia do All Japanese All The Time de adicionar somente sentenças e não palavras soltas. Um curso/método em que os alunos usasem um SRS para montar um arquivo e revisar sentenças poderia ser muito efetivo! Inclusive seria possível até mesmo organizar o método em módulos, por exemplo, de acordo com o número de sentenças. Digamos que o aluno aprenda 25 sentenças por semana, isso daria 100 por mês e 1200 sentenças em um ano. Para um ano de estudos, 1200 sentenças é bem mais que cursos normais ensinam, um aluno que souber tudo isso terá realmente um japonês bem forte!

2. Uso de textos com áudio – Eu acredito no poder do nas idéias de Stephen Krashen e no poder “Input“. Mas Krashen defende um Input baseado em muito leitura, nesse ponto eu sou adepto de Steve Kaufmann, que defende não somente a leitura, mas também a escuta. Por isso, creio que todo material usado deve conter áudio, para que o aluno possa “escutar” os textos que estuda. Através de materiais com áudio o aluno pode treinar a escuta com falantes nativos, e não tem a necessidade de um professor falando no idioma estudado. Além disso, ele tem a comodidade de escutar quando decidir, quanto tiver tempo e no ambiente que quiser, sem a pressão de uma sala de aula, o que inibe muitos, principalmente iniciantes.

3. Controle de leitura e escuta – Através do SRS é possível controlar como o aluno revisa as sentenças, porém não o tempo de escuta que ele faz. Um objetivo, como por exemplo, 30 minutos de escuta diária, poderia ser um bom modo de marcar o tempo de escuta de um aluno, sabendo assim como ele progride. Porém isso é algo ainda a ser pensado.

4. Curta duração – Existe cursos de Inglês que duram mais de 5 anos, eu creio que isso é uma perda de tempo e dinheiro. Um curso deve durar no máximo 3 anos, se possível menos, digamos que um ou dois. Com uma metodologia adequada, usando texto, áudio e um SRS, um aluno poderia aprender muito em um ou dois anos e a partir de então seguir por si mesmo.

5. Formar um auto-estudante – Como dito acima, o objetivo primordial do método deve ser formar um auto-estudante, um aluno que possa estudar sozinho, sem necessidade de professores. Por isso o método deve ser curto, e também trazer materiais sobre o ensino de línguas, orientando o aluno não somente no idioma, mas também no como aprender idiomas!

Por enquando é só, eu ainda vou desenvolver melhor essa idéia. Porém eu gostaria de sugestões e opiniões sobre o assunto, você leitor do Como Aprender Japonês, que tem interesse pelo assunto, deixe seu comentário, pois o melhor modo de descobrimos algo é conversando bastante sobre o assunto! Até a próxima!

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Começar pelo Kanji vale a pena?

Posted on the February 11th, 2008 under Ideogramas japoneses by Mairo

Um dos leitores do Como Aprender Japonês me fez a seguinte pergunta: “Kanji, é necessário já estar habituado com o Kanji antes de começar a se aprofundar nas frases e textos?” Eu comecei então a pensar sobre o assunto e resolvi (como sempre) em fazer um post sobre!

Até hoje o ensino de língua japonês seguiu (e ainda segue) uma metodologia que funciona da seguinte maneira:

Romaji > Hiragana/Katakana > Kanji

Sendo que o uso ou não do romaji varia de método para método. A idéia é que começando com hiragana/katakana o estudante pode aprender mais facilmente e aos poucos ir aprendendo os ideogramas. Porém esse método não vem demonstrando grandes resultados visto que a grande maioria dos estudantes de japonês acaba desistindo dos estudos logo que deixam o japonês básico e partem para a parte mais intermediária/avançada, na qual terão que aprender os ideogramas. Hiragana e katakana parecem difíceis no início, mas podem ser dominados rapidamente e logo o estudante pensa que japonês é fácil. Porém assim que o kanji entra em jogo as coisas começam a complicar. No início, digamos até uns 300-400 ideogramas, não é tão complicado, mas depois disso todos eles começam a parecer os mesmo, você “aprende um e esquece dois”, o número de leituras de cada ideograma aumenta, ideogramas antigos aparecem novamente com leituras diferentes, etc. A grande maioria dos estudantes nesse ponto desiste ou simplesmente fica estagnado sem melhorar o japonês.

A minha solução para isso é darmos um enfoque maior nos ideogramas dividindo os estudos de japonês e de kanji em duas coisas a parte. Uma coisa é japonês, o idioma, outra coisa é o Kanji, os ideogramas chineses que são usados na escrita japonesa! “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”! A estratégia aqui é a mesmo usada por James Heisig em seu livro Remembering the Kanji: “Divide and conquer” [Dividir para conquistar]. Dê uma lida no post “Estude Kanji para complementar seus estudos de japonês“, ele mostra como a divisão japonês/kanji pode ser vantajosa nos seus estudos. Tendo a coisa bem dividida, podemos tomar duas estratégias:

1. Estudar japonês e kanji ao mesmo tempo,
2. Estudar primeiro o kanji, depois o japonês!

Vejamos como cada uma funciona na prática:

Estudando Japonês e Kanji ao mesmo tempo

Se você pretende estudar japonês e kanji ao mesmo tempo, prepare-se para ter trabalho! Comece separando seus horários! Se você estuda dois dias por semana, de agora diante um dia vai ser para japonês e outro para kanji. Se estuda todos os dias, separe um dia kanji, um dia japonês, um dia kanji, um dia japonês… ou então divida por tempo, cada dia 30 minutos de japonês e 30 minutos de kanji! Você tem que garantir que um estudo acompanhe o outro. Novamente recomendo ler “Estude Kanji para complementar seus estudos de japonês“! Se seu kanji estiver fraco seu japonês vai estar fraco, e vice-versa. A grande vantagem desse método é que ele é bem variado, quando você cansar do kanji vai para o japonês, quando cansar do japonês vai para o Kanji. A desvantagem obviamente é que o trabalho vai ser maior. Veja meu exemplo, todo dia eu tenho qeu revisar minhas sentenças no Anki assim como meus Kanjis no Reviewing The Kanji, e se deixar um dia sequer sem revisar eu já tenho mais de 200 revisões somando os dois sistemas! Aconselho este método para quem tem mais tempo livre ou mesmo deposição, pois é fácil jogar tudo para o alto no meio de tanto estudo.

Estudando primeiro o Kanji, para depois o Japonês

Esse método é inovador e revolucionário no ensino de língua japonesa. A idéia é bem simples: começamos estudando somente Kanji, aprendendo os significados e a escrita. Você nem mesmo precisa aprender a leitura dos ideogramas. O método mais conhecido é com certeza o Remembering the Kanji, o qual estou traduzindo aos poucos aqui no blog. Seguindo essa filosofia você primeiro se familiariza com os ideogramas: Você não vai aprender japonês, mas vai saber que 木 significa árvore e que 水 significa água, e assim por diante. Isso vai trazer resultados muito bons quando você for estudar japonês, pois você não vai dar de cara com “um monte de riscos de nexo nenhum”! Aqueles riscos são os ideogramas que você estudou e que agora estão sendo usados numa língua, no caso a japonês! O tempo que você pode gastar estudando somente os ideogramas varia. Pode ser desde um ou dois meses até um ano. Eu recomendaria uns 6 meses, e não mais que um ano. Eu creio que a vantagem de passar 6 meses estudando somente os ideogramas para depois estudar o japonês é enorme, porém se o tempo de estudos de ideogramas passar de um ano, creio que já começa a tornar-se uma desvantagem. Se você tem disposição, tire seis meses e estude somente ideogramas! Ponha uma objetivo na cabeça, por exemplo “terminar o remembering the kanji” ou “aprender todos os 1006 ideogramas básicos”. Fazendo isso você cria uma base muito forte para seus estudos, o que vai te diferenciar de estudantes que não fazem isso.

Conluindo

As duas abordagens são válidas, assim não há como saber qual delas é melhor, qual traz melhores ou mais rápidos resultados. Lembre-se que o resultado é mais fruto do seu esforço do que do método que você usa. Uma pessoa esforçada vai ter bons resultados independente do método usado! Porém um bom método combinado com esforço pode ser ainda mais poderoso! Acima de tudo refletir sobre seus estudos e o que funciona melhor para você é essencial. Nunca pense que você “não tem jeito”, “não tem o dom”, etc. Isso é tudo conversa fiada, se algo está errado, o problema está ou no método, ou na falta de dedicação, mas nunca em você mesmo, numa suposta “falta de capacidade”. Todos nós somos capazes, se eu aprendi você também pode aprender! É isso aí, bons estudos para você!

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